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Algoritmo Humano

05 filmes para quem gostou de A Química Que Há Entre Nós

A Química Que Há Entre Nós
Onde assistir: Prime Video

Há algumas semanas, o filme A Química Que Há Entre Nós (Chemical Hearts, 2020), estreou no Prime Video. Por se tratar de um original da plataforma, ele acabou chamando a nossa atenção. Mas relutamos um pouco para assistir, visto que esperávamos clichês adolescentes dentro de um tema sério. Entretanto, o longa-metragem, protagonizado por Lili Reinheart e Austin Abrams, foi uma surpresa agradável. 

Logo, embora o poster e o trailer vendam a ideia de um romance adolescente entre dois desajustados, a trama vai além. Grace Town (Reinhart) é uma jovem que carrega consigo marcas de traumas, físicas e psicológicas. Mesmo que ela se torne o interesse amoroso de Henry (Abrams), o vínculo entre os dois não é retratado como se fosse tudo o que Grace precisava para se curar. 

Há sensibilidade e tato na abordagem da questão da depressão e do luto vividos por ela. A sua superação vem do amadurecimento e de um processo longo, não de um romance. Somente nesse ponto A Química Que Há Entre Nós já supera os seus pares. Além disso, a interpretação de Lili Reinhart é segura e sensível o bastante para que a gente passe por todo esse processo com Grace. 

De início, a sua apatia soa forçada e causa a sensação de familiaridade. Então, esperamos que após começar a conviver com Henry e seus amigos ela “se abra para o mundo”. Entretanto, isso não acontece e a personagem se revela em camadas. Sempre que retiramos uma, outra aparece em seu lugar, mostrando que, talvez, A Química Que Há Entre Nós seja esperto o bastante para se desviar de irresponsabilidades e incoerências com o estado mental e físico de Grace.

Portanto, o filme ganhou espaço no nosso Algoritmo Humano dessa semana, no qual pretendemos indicar produções centralizadas em adolescentes que lidam com questões mais sérias de um modo responsável. Afinal, não adianta fazer esse tipo de abordagem “de qualquer jeito” e depositando a “redenção” em fatores que pouco ou nada têm a ver com isso.

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides, 1999)

As Virgens Suicidas (dica para quem gostou de A Química Que Há Entre Nós)
Onde assistir: Telecine Play

O filme de estreia de Sofia Coppola, fala sobre as irmãs Lisbon, que são objeto de fascínio de um grupo de meninos do subúrbio de Detroit. Isso, entretanto, está ligado à beleza das cinco, visto que elas têm uma criação rígida e pouco contato (especialmente sem supervisão) com rapazes. 

Os garotos são os narradores do filme e funcionam como uma espécie de coro de tragédia grega: eles sabem o que vai acontecer e nos contam, rememorando, sobre o suicídio das garotas. 

Assim, As Virgens Suicidas fala sobre aprisionamento e sobre como é difícil ser uma menina adolescente. Ainda na apresentação de A Química Que Há Entre Nós, Henry narra como os sentimentos são potencializados nessa fase da vida. Exatamente pelo fato de que se trata de um período de transição da proteção da infância para as dificuldades da vida adulta.

Isso se faz notar também no filme de Sofia Coppola quando Cecilia (Hanna Hall) decide tirar a própria vida. Em uma cena posterior, ela é vista conversando com um psiquiatra, que questiona os seus motivos. Então, de forma assertiva, ela responde que ele nunca foi uma menina dessa idade e não poderia compreender. 

E é por capturar muito bem a confusão da adolescência, potencializando-a com o aprisionamento e a falta de contato com o mundo externo, que nós acreditamos que As Virgens Suicidas tem tudo para cair no gosto de quem curtiu A Química Que  Há Entre Nós. Além disso, assim como o filme do Prime Video, traz uma abordagem delicada para a questão do suicídio e não adota um tom moralizante, de alerta.

Na verdade, aqui, o recado fica para outras pessoas, que falham em perceber a autonomia e a intensidade dos sentimentos nesse período da vida, impondo assim as suas vontades e crenças aos mais jovens. 

Quem gostou de A Química Que Há Entre Nós vai gostar de O Diário de Uma Adolescente (The Diary of a Teenage Girl, 2015)

O Diário de Uma Adolescente (dica para quem gostou de A Química Que Há Entre Nós)
Onde assistir: Globoplay

Embora seja quase desconhecido do público, O Diário de Uma Adolescente é uma pequena pérola quando se fala em filmes desse nicho. Ainda que o seu tema seja um pouco batido, a abordagem é diferenciada, principalmente pelo fato de que o longa-metragem, dirigido por Marielle Heller, não seguir para o caminho da comédia. 

Em linhas gerais, o filme fala sobre Minnie (Bel Powley), uma jovem artística e inteligente que deseja perder a virgindade. Ela vive com a sua mãe e o namorado dela. Portanto, a primeira oportunidade de contato sexual que surge para a para Minnie é o padrasto, com quem ela engata um caso. 

Se essa sinopse te fez lembrar de Lolita, saiba que o filme não segue por esse caminho. Um dos grandes acertos de Heller e do roteiro foi não colocar a protagonista enquanto sedutora. Além disso, Minnie também não é colocada no lugar de vítima (ainda que ela possa ser entendida dessa maneira pelo público). 

Portanto, O Diário de Uma Adolescente trata a personagem enquanto uma pessoa que tem falhas, vive entre outras pessoas tão cheias de defeitos quanto e acaba cometendo um erro. Logo a complexidade do contexto em que os personagens estão inseridos é considerada a cada momento do filme, tornando-o algo mais reflexivo do que outros filmes sobre jovens que querem perder a virgindade. 

Existem outros pontos que tornaram a perspectiva desse filme algo interessante para a gente, mas aborda-los seria dar um baita spoiler a respeito do que acontece a partir do caso entre Minnie e seu padrasto. Assim, para não correr o risco, vamos manter a nossa recomendação limitada ao que já foi citado. O restante vocês podem descobrir assistindo a O Diário de Uma Adolescente, o que eu garanto que vale a pena. 

Fora de  Série (Booksmart, 2019)

Fora de Série
Onde assistir: Telecine Play

Fora de Série foi lançado há pouco tempo e fez bastante barulho nas redes sociais. Dirigido pela estreante Olivia Wilde, o filme acabou se tornando o queridinho de muita gente quando se fala a respeito de adolescentes. Então, nós não poderíamos deixar de incluí-lo aqui, já que falamos sobre abordagens delicadas da adolescência

Ao contrário de O Diário de Uma Adolescente, Fora de Série é uma comédia. Porém, o filme consegue discutir sexualidade, dilemas e conflitos ligados às expectativas amorosas de uma forma complexa, acrescentando camadas a todos os personagens. 

Assim, por mais que Amy (Kaitlin Dever) e Molly (Beanie Feldstein) vejam os seus colegas de escola como estereótipos ambulantes, aos poucos, nós vamos descobrindo que eles são mais do que isso. Eles podem ser tão inteligentes quanto elas e tão comprometidos com o seu futuro quanto, mas ainda se divertir.  E é exatamente isso o que acaba gerando o conflito que desencadeia toda a ação do filme. 

Entretanto, o que fez realmente com que a gente decidisse incluir esse filme no Algoritmo Humano foi o fato de que em grande maioria das produções adolescentes, a questão dessa selvageria e necessidade de diversão está ligada a uma perspectiva masculina. 

Por exemplo, em Superbad – É Hoje, nós temos uma trama bastante parecida, mas protagonizada por rapazes e dirgida por homens. Em American Pie – A Primeira Vez é Inesquecível, somente meninos desejam perder logo a virgindade. Então, Fora de Série se torna interessante por ser justamente um contraponto. E a gente acredita que quem gostou de A Química Que Há Entre Nós, mesmo com as diferenças de tema entre os dois filmes, pode acabar gostando do debut de Olivia Wilde pela questão da sensibilidade no tratamento dos personagens. 

Quem gostou de A Química Que Há Entre Nós vai gostar de Quase 18 (The Edge of Seventeen, 2016)

Quase 18
Onde assistir: Netflix

Em Quase 18 nós acompanhamos a história de Nadine (Hailee Steinfeld), uma menina de 17 anos bastante solitária. Ela vive com a sua mãe e o seu irmão, um garoto popular que frequenta a mesma escola que ela. Fora do núcleo familiar, o seu único vínculo é com Krista (Haley Lu Richardson), a sua melhor amiga.

Entretanto, Krista transita por outros ambientes e convive com outras pessoas. Isso não é um problema para Nadine até que ela começa a namorar Darian (Blake Janner), o seu irmão. Esse relacionamento causa na protagonista a sensação de isolamento, desencadeando todos os conflitos do filme. 

Talvez, Quase 18 seja o filme mais próximo tematica e estruturalmente de A Química Que  Há Entre Nós nessa lista. É possível encontrar interseções variadas entre as personalidades de Nadine e Henry. Inclusive ligadas ao fato de que eles depositam em outras pessoas a responsabilidade por fazer com que eles se sintam menos deslocados. 

Portanto, um caminho que ambos precisam fazer é o de compreender que se encontrar no mundo é uma tarefa para ser realizada sozinho. Nenhum namoro, amigo ou professor pode realizar isso por Nadine e Henry. Por mais que eles pensem o contrário, insistam nisso e errem muito ao permanecer com essa visão.

E é exatamente ambos os personagens percorrendo esse caminho que nós acompanhamos durante os filmes. Isso é algo capaz de evocar memórias em qualquer um que foi adolescente e sentiu que essa fase da vida era um deserto de solidão. 

A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show, 1971)

A Última Sessão de Cinema
Onde assistir: HBO Go

Entre todos os indicados, A Última Sessão de Cinema é o mais desconhecido. O filme dirigido por Peter Bogdanovich é reconhecido por algumas pessoas como uma tentativa de “nouvelle vague em Hollywood”. 

Em linhas gerais, o longa fala sobre Duane (Jeff Bridges) e Sonny (Thimothy Bottons), dois amigos que passaram juntos boa parte da sua adolescência. Apesar de suas personalidades conflitantes, os dois são próximos o bastante para fazer encontros duplos com as suas respectivas namoradas. 

E é exatamente em uma dessas ocasiões que surge o terceiro elemento da narrativa: a bela Jacy (Cybill Shepard), namorada de Duane. Os dois se encontram pela primeira vez em uma sessão de cinema na qual Sonny está presente (e acompanhado).

Logo, Jacy será o catalisador da rebeldia prestes a explodir e dos conflitos entre a dupla de amigos. Isso acontece porque enquanto Duane e Sonny são conformados com a vida que levam, Jacy quer saber o que existe além daquele interior do Texas. E a sua postura, por sua vez, encontra ecos e respaldo nas falas de sua mãe, que a incentiva a ser dessa forma. 

Porém, isso também faz com que Jacy tenha uma visão bem particular sobre relacionamentos: ela os enxerga como uma maneira de escapar da cidade. Logo, para a personagem de Cybill Shepard, um namoro é algo que pode lhe ajudar a sair dali. Então, ela precisa que o seu par compartilhe dessa ambição. 

Em A Última Sessão de Cinema a nostalgia dos personagens mais velhos entra em contraste com o tédio dos mais novos. Portanto, esse filme é bastante melancólico e cheio de reflexões interessantes sobre velhice, juventude e a necessidade de buscar coisas que sequer se sabe nomear. Portanto, é bastante recomendado para quem gostou de A Química Que Há Entre Nós. 

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