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Algoritmo Humano

05 filmes para quem gostou de Origens Secretas

Origens Secretas, filme da Netflix
Onde assistir: Netflix

Na última semana, o filme Origens Secretas, dirigido por David Galán Galindo, estreou na Netflix. Desde então, o longa-metragem está figurando entre os mais assistidos no Brasil. Assim, por todo o barulho gerado, nós decidimos conferir a produção. Afinal, de um lado existem pessoas que abraçam a proposta e, do outro, pessoas que não gostaram nem um pouco do que viram. Ao longo desse Algoritmo Humano, vocês vão descobrir onde nós estamos.

Em termos de enredo, Origens Secretas aborda a história de um serial killer que está espalhando o caos por Madrid. Um dos policiais responsáveis por caçá-lo está em vias de se aposentar e tem um filho, Jorge Elias (Brays Efe), viciado em histórias em quadrinhos. Assim, após ver fotos de uma cena do crime, Jorge  faz uma comparação entre um morto e a cor do Hulk nas primeiras HQs. Isso é o bastante para que ele acabe sendo envolvido na investigação, que parece ter muito a ver com universo dos super-heróis.

Então, várias pistas deixadas pelo serial killer passam a corroborar a teoria. Assim, Jorge se faz cada vez mais essencial e, aos poucos, as coisas vão caminhando para rumos inesperados.

Apesar da mistura de suspense com super-heróis parecer interessante, Origens Secretas parece subestimar a capacidade de quem assiste. Assim, sempre que uma referência é feita, o roteiro duvida que o espectador será capaz de compreender e explica. Essa verborragia torna as coisas didáticas e cansativas. Portanto, confiar um pouco mais em quem assiste seria algo que poderia ajudar o filme a crescer.

O exagero e o desespero por parecer inserido em uma cultura pop (que absolutamente todo mundo conhece), gera situações desnecessárias, como na cena em que Jorge Elias e David Valentin (Javier Rey) vão à loja de quadrinhos e dois nerds especulam sobre o relacionamento entre Dumbledore e Grindewald. 

Mas, então, porque tornar Origens Secretas a estrela de um Algoritmo Humano?

Portanto, a decisão de trazer o filme para essa coluna – que geralmente é habitada por produções que nós gostamos – se deu por um motivo bem simples: a premissa de Origens Secretas pode ter como novidade o acréscimo do suspense, mas ela não é exatamente nova. Outros filmes já abordaram o universo dos super-heróis colocando pessoas comuns, mas que desejam fazer a diferença, como as responsáveis por provocar mudanças significativas. 

Além disso, os filmes em questão eram bem mais sutis em suas referências ou mesmo não se preocupavam tanto com isso, focando mais em construir um universo próprio e que prendesse quem assiste pelo seu próprio charme. Tais produções, por sua vez, conservavam o tom despretensioso de Origens Secretas, mas faziam isso de uma forma mais interessantes, visto que não dependiam da verborragia e nem duvidavam que quem assiste conseguiria perceber qual foi o “material base” para a construção dos seus personagens. 

E é exatamente essas produções que nós queremos indicar hoje. 

Quem gostou de Origens Secretas vai gostar de Super (Super, 2010)

Dicas para quem gostou de Origens Secretas: Super
Onde assistir: Prime Video, Looke

Embora Super seja sobre um cara que frita hambúrguer para sobreviver e decide se tornar um super-herói para fazer a diferença, o filme de James Gunn possui várias camadas. Então, caso você vá esperando mais uma comédia sobre o homem comum que deseja mudar o mundo, você encontrará um pouco mais.

Nós consideramos esse filme mais interessante do que Origens Secretas porque ele coloca o mal como algo banal e não perde isso de vista. A maldade está em tudo: em quem usa acentos preferenciais sem precisar, naqueles que jogam o lixo na rua…  Nos detalhes mais simples do cotidiano. O herói, por sua vez, também está dentro de cada um e Crimson Bolt, o homem-comum-que-decide-agir, acaba nos mostrando isso.

Ao longo da jornada do personagem, nós conseguimos perceber algumas referências a outros super-heróis, bem como às suas histórias de origem. Mas isso é feito de uma forma sutil e que conta com o conhecimento de quem assiste, sem que um personagem fã de quadrinhos precise explicitar em qual volume de qual gibi o fato aconteceu. 

Além disso, outro grande trunfo de Super é conseguir funcionar extremamente bem de forma independente. Se você entendeu as referências, ótimo, a experiência se torna ainda mais interessante. Se você não entendeu, o andamento do filme de uma forma geral não é comprometido por isso.

Ter apostado em um tom mais próximo do que foi feito nesse filme poderia tornar Origens Secretas muito mais interessante, mas a necessidade de explicar cada pormenor que vemos na tela acaba transformando o filme em algo maçante. É como se o diretor quisesse dar uma aula no melhor estilo “quadrinhos para noobs” e, definitivamente, ninguém precisava. 

Quem gostou de Origens Secretas vai gostar de Kick Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass, 2010)

Dica para quem gostou de Origem Secreta: Kick-Ass - Quebrando Tudo
Onde assistir: Telecine Play, Looke, Apple TV+, Google Play

Embora Kick Ass – Quebrando Tudo seja um filme bastante conhecido, achamos interessante incluí-los nesse Algoritmo Humano. Assim como Super, o longa-metragem também se ampara no universo dos super-heróis para contar a história de um menino comum que decide fazer a diferença em sua comunidade. Portanto, embora algumas referências explícitas a heróis, como o Homem-Aranha, sejam feitas ao longo do filme, Kick Ass não se ampara nisso para despertar a simpatia e a atenção do público.

Portanto, Dave (Aaron Taylor-Johnson) é sim um grande fã de quadrinhos e é essa a sua inspiração para criar Kick-Ass, o herói da fantasia de mergulhador que, na verdade, deveria ter o seu nome invertido. Mas o roteiro do filme se preocupa mais em construir as motivações do personagem, assim como dos outros “mascarados” que cruzam o seu caminho, como Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chole Grace Moretz). Ficar dentro do próprio universo é um acerto e tanto, já que isso faz com que a gente se importe com aqueles heróis – o que faltou em Origens Secretas, que faz todos os seus personagens serem extremamente irritantes.

Portanto, o que te prende ao filme espanhol não é saber o que vai acontecer com David ou Jorge Elias. Na verdade, a única coisa que te interessa depois da referência número 30 é a resolução para o mistério inicial. Ou seja: saber quem é o serial killer. E até essa revelação consegue ser frustrante – e contar com mais uma versão de uma história de origem que nos leva ao nosso próximo indicado.

Quem gostou de Origens Secretas também vai gostar de Coringa (Joker, 2019)

Coringa, 2019
Onde assistir: HBO Go, Looke, Apple TV+, Microsoft Store

Nesse trecho, nós tentaremos dar o mínimo de spoilers possível. Entretanto, isso será um pouco difícil, já que falaremos a respeito do vilão do filme e da sua “origem”. Então, caso você ainda não tenha assistido Origens Secretas e tenha planos de fazer isso, talvez seja interessante pular essa parte.

Assim que David se vê cara a cara com o serial killer, depois de descobrir que ele teve um papel no seu passado, nós ficamos sabendo a respeito da motivação para os crimes. E ela é, para dizer o mínimo, um fiapo. É como se os envolvidos em Origens Secretas quisessem criar um assassino que mata “porque sim”. Mas, o mesmo tempo, colocá-lo um reflexo da própria sociedade. Entretanto, uma suposta loucura como motivação para crimes precisa ser algo melhor construído. Logo, para um filme que fala sobre histórias de origem, justo a mais importante deixou bastante a desejar.

De certa forma, o confronto final entre David e o serial killer faz referências – sejam elas sutis ou bastante explícitas – ao Coringa, o mais emblemático antagonista do Batman. Seja pela loucura, pelo sadismo das atitudes ou pelo tanque de ácido. Mas isso não convence. E não convence exatamente porque em 2019 existiu um filme contando uma história de origem muito mais interessante (e muito mais pautada nos aspectos psicológicos) para o vilão em questão. 

Portanto, a gente acredita que independente de ter gostado desse ponto de Origens Secretas,caso você ainda não tenha assistido Coringa, seria interessante fazer isso para compreender porque nós consideramos que a apresentação da loucura e das motivações do serial killer de Origens Secretas não foram tão bem feitas assim. 

Seven – Os Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995)

Seven - Os Sete Crimes Capitais
Onde assistir: Netflix, Apple TV+, Looke, Google Play, Microsoft Store

Partindo para a faceta de suspense de Origens Secretas, nos lembramos de Seven – Os Sete Crimes Capitais em vários aspectos. O primeiro deles está ainda na primeira sequência  e aconteceu pela escolha da ambientação: um local fechado, sujo e pelo qual os policiais têm que se esgueirar. Além disso, em termos de fotografia a cena me pareceu propositalmente fazer referência a Seven. 

Eu admito que, de início, isso acabou atraindo a minha atenção, visto que me fez esperar por uma espécie de “versão com heróis” desse filme. Porém, o que poderia ser homenagem e uma transposição da premissa para outro universo, se torna mera cópia sem propósito. 

Além da ambientação, o próprio vilão do filme acabou por me lembrar John Doe (Kevin Spacey). Entretanto, abordar isso seria falar coisas muito semelhantes ao que foi dito no trecho sobre Coringa. Então, a gente pode apenas partir para a relação entre David, o pai de  Jorge Elias e o próprio fã de HQs. Ela lembra bastante aquela construída entre Mills (Brad Pitt) e Somerset (Morgan Freeman).

Para começar, o óbvio: Somerset está prestes a se aposentar e realmente não quer saber de um caso complexo. Mills, por sua vez, é um novato ávido por conseguir se provar enquanto detetive competente, além de ter um temperamento bastante explosivo. Bateu a familiaridade? Pois é. Agora basta adicionar Jorge Elias, que não se dá nada bem com David devido às suas visões diferentes de mundo (e da investigação). Pronto, a “homenagem” está completa. 

Corpo Fechado (Unbreakable, 2000)

Corpo Fechado
Onde assistir: Apple TV+, Google Play, YouTube Filmes

Por fim, o último indicado do nosso Algoritmo Humano desse sábado é Corpo Fechado. Porque nós não conseguiríamos deixar de fora um filme que une super-heróis e suspense de forma eficiente. É a nossa maneira de dizer “aprende, Origens Secretas” e de mostrar para vocês exatamente as raízes do nosso descontentamento.

Mas, primeiro, a gente precisa deixar uma coisa bastante clara: o filme de M. Night Shyamalan se leva a sério. Ele é construído de forma que nos envolvemos com o mistério da “paranormalidade” de David (Bruce Willis), sobrevivente de um acidente com 131 vítimas. 

Mesmo que o elemento dos quadrinhos esteja presente através de Elijah Price (Samuel L. Jackson). Price defende a teoria de que Dunn é um super-herói, o próprio protagonista é cético demais para acreditar nisso. Então, com essas características, usando referências sutis  e amparando todo esse discurso com aspectos técnicos impecáveis, Corpo Fechado constrói o seu suspense. Além disso, o filme faz um jogo interessante com as crenças de quem o assiste. 

De certa forma, Origens Secretas tenta fazer o mesmo, mas apostando na despretensão. Embora isso possa dar certo, seria necessário que o filme quisesse chegar em algum lugar e não apenas citar histórias clássicas. Mas não: ele prefere Imitar longa-metragens consagrados e confiar que isso seria o suficiente para um espectador. O que, talvez, seja verdade, dado o sucesso de Power e Freaks – Um de Nós entre os assinantes da Netflix. Porém, para um público com mais bagagem e repertório, Origens Secretas não convence.

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