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Algoritmo Humano

5 séries para quem gostou de Dispatches From Elsewhere

Dispatches From Elsewhere

No mês de maio, estreou no Prime Video a série Dispatches From Elsewhere (ou Despachos de Outro Lugar), originalmente exibida pela AMC. Criado e protagonizada por Jason Segel, o programa  não foi exatamente divulgado pela plataforma de streaming da Amazon. Portanto, assim como uma parte considerável do seu conteúdo, acabou passando despercebido. Em um primeiro momento, inclusive para nós.

Assim, mesmo que Dispatches From Elsewhere tenha aparecido por aqui em uma lista de ficção científica, nós ainda não tínhamos tirado um tempo para ver a série. Isso foi acontecer somente na última semana e tivemos uma grata surpresa. O que nós encontramos é algo que chega a ser difícil de descrever e que provoca sensações bastante particulares. 

Devido a isso, pensamos muito sobre usar a série de Segel como um estrela de um Algoritmo Humano ou não. Afinal, em geral, escolhemos programas mais populares para essa coluna. Entretanto, indo além disso, seria muito complicado indicar qualquer coisa similar a Dispatches From Elsewhere, visto que nós nunca vimos nada que seja exatamente na mesma linha. Nem em termos de temática, nem em termos de estrutura e muito menos em termos de abordagem.

Em linhas gerais, Dispatches From Elsewhere explora a vida de quatro pessoas extremamente comuns, conectadas por uma espécie de “quebra-cabeça” misterioso. Elas devem cumprir o jogo em questão juntas. Porém, à medida que elas avançam, cada vez mais percebem que estão diante de algo maior do que pensavam. Uma dessas pessoas é Peter (Segel), um homem tímido e calado, que trabalha com computadores e recebe estímulos demais através do seu trabalho. 

Foi por causa disso que nós acabamos selecionando a nossa primeira indicada

Quem gostou de Dispatches From Elsewhere também vai gostar de Black Mirror

Dispatches From Elsewhere
Onde assistir: Netflix

Black Mirror sempre fala sobre a relação entre os seres humanos e a tecnologia. Ainda que com um tom futurista e que leva a gente pensar a respeito do quão distante (ou não) tudo aquilo ainda está. Assim, a série de Charlie Brooker acabou nesse Algoritmo Humano por causa de Peter, mas também por alguns episódios específicos, nos quais Black Mirror faz um caminho que tende a enganar quem assiste.

Logo, o maior exemplo disso é o episódio San Junipero. Muitas pessoas se prenderam pela história de amor entre Kelly (Gugu Mbatha-Raw) e Yorkie (Mackenzie Davis). Tudo é construído para jogar com as emoções de quem assiste e fazer com que a gente não consiga entender porque Kelly deseja morrer. Entretanto, as coisas aos poucos vão se desenhando e quem consegue ir além do sentimento entre as protagonistas entende o quão apavorante pode ser a ideia de viver através de um “cemitério de consciências”. 

É possível destacar que Dispatches From Elsewhere, a princípio, tem esse mesmo tom ameno. Nós somos apresentados aos personagens, cada um a seu tempo, e sabemos que eles têm as suas questões, tão humanas e tão complexas quanto as de Kelly. Mas a dinâmica deles enquanto um grupo é leve, por vezes é até engraçada, o que engana.

Além disso, a existência de um narrador, que nos diz exatamente o que pensar sobre cada um dos quatro personagens enquanto tenta manipular a percepção de quem assiste, lembra bastante o próximo indicado da lista.

Quem gostou de Dispatches From Elsewhere vai gostar também de Good Omens

Dispatches From Elsewhere
Onde assistir: Prime Video

Good Omens possui personagens definidos, encaixados devidamente em caixinhas: o anjo, o demônio, o anticristo, a bruxa…E a série também possui um narrador, Deus, que nos guia pela história e, simultaneamente, faz com que ela seja filtrada pela sua percepção. Portanto, nós vemos o que Deus deseja. E isso funciona exatamente como Octavio (Richard E. Grant) em Dispatches From  Elsewhere.

A cada novo começo de episódio, ele surge na tela para nos dizer o que pensar sobre cada um dos protagonistas. No primeiro episódio, ele fala sobre o trabalho de Peter e como ele influencia o seu comportamento. No segundo, ele aparece para deixar clara a necessidade de afeto de Simone (Eve Lindley), ainda que ela tenha medo de pertencer a algo. O mesmo é feito com Janice (Sally Field) e Fredwynn (André Benjamin, também conhecido como André 3000). 

Entretanto, Octavio é também o responsável pelo jogo que os protagonistas estão jogando e por colocá-los juntos enquanto grupo. A seleção é mostrada ainda no primeiro episódio. Portanto, a sua manipulação ocorre em várias frentes diferentes, dentro da série e com quem assiste, forçando os personagens a se tornarem cada vez mais fortes enquanto grupo para conseguir superar uma conspiração maior, exatamente como na próxima indicada.

Quem gostou de Dispatches vai gostar também de Orphan  Black

Orphan Black
Onde assistir: Netflix

Em Orphan Black, Sarah (Tatiana Maslany) está apenas tentando sobreviver e criar a sua filha quando se descobre no centro de uma conspiração envolvendo clones. Conforme a série avança, cada vez mais camadas se revelam e, aos poucos, a gente descobre que tudo é muito mais profundo do que Sarah enfrenta naquele primeiro momento, com direito a clones fanáticos religiosos e espalhados ao redor do mundo. 

Portanto, embora em um primeiro momento a solução da protagonista seja repelir a ideia de se aproximar de pessoas que possuem a mesma cara que ela, aos poucos, ela acaba percebendo que a única forma de solucionar tudo isso é se juntar ao grupo. A solução do “quebra cabeça” de Orphan Black depende da união entre pessoas com particularidades bem distantes e do fato de que elas precisam aprender a existir depois que tudo o que elas sabiam sobre si mesmas e sobre o mundo desaba. 

Assim, a inclusão da nossa próxima indicada nesse Algoritmo Humano se faz mais do que justificada. Afinal, a sobrevivência em meio a uma série de perguntas sem respostas é o ponto de partida.

Quem gostou de Dispatches vai gostar também de The Leftovers

The Leftovers
Onde assistir: HBO Go

Em The Leftovers, 2% da população mundial foi “arrebatada” sem qualquer tipo de explicação. Porém, a série, criada por Damon Lindelof, não tem interesse em investigar o arrebatamento e os seus motivos. Portanto, ela fala sobre quem ficou. Sobre o luto, sobre a incerteza e sobre os mecanismos de sobrevivência – que incluem coisas como cultos. 

Embora tematicamente isso não esteja próximo de Dispatches From Elsewhere, o “sentimento” provocado pelas duas séries é bastante próximo. O motivo para isso está ligado ao fato de que a jornada de Peter, Simone, Janice e Fredwynn está muito mais conectada às descobertas que eles têm para fazer sobre si mesmos, especialmente quando inseridos em um grupo.

Assim, embora o “quebra-cabeça” seja o ponto de partida, ele acaba se parecendo apenas com um subterfúgio para levar os quatro protagonistas às reflexões que eles precisam fazer – exatamente como o arrebatamento de The Leftovers.

É como se a ficção científica, aqui, estivesse menos interessada na tecnologia em oposição ao humano e mais interessada em investigar o desenvolvimento pessoal frente a todos os mistérios e a todos os estímulos proporcionados pelo contato com essa tecnologia e com o desconhecido originado por ela

Portanto, embora a próxima indicada não seja exatamente uma série sobre tecnologia, ela recebeu críticas bastante duras por, em sua reta final, ter decidido focar em aspectos mais humanos e menos “impossíveis”.

Quem gostou de Dispatches vai gostar também de Lost

Lost
Onde assistir: Claro Video

É seguro dizer que Lost foi a primeira série a, na “Era da Internet”, ser considerada um fenômeno. Era difícil encontrar alguém que não acompanhasse – especialmente nas três primeiras temporadas – e não  quisesse saber o que era aquela ilha no meio do Oceano Pacífico. Entretanto, aos poucos, Lost pareceu pouco interessada em fornecer essas respostas.

A série também possui o envolvimento de Damon Lindelof e, se tem uma coisa que o roteirista se interessa bastante, é em discutir sobre o tempo. Isso se faz presente no enredo do Desmond (Henry Ian Cusik), em The Leftovers e em seu mais recente trabalho, Watchmen. Assim, olhando em retrospecto, não teria como Lost fazer um caminho diferente. 

Por mais que algumas pessoas insistam em dizer que a própria série deixou de lado as “teorias que se tornaram o final”, isso não é completamente verdade. De uma forma ou de outra, ela foi fiel aos elementos inseridos desde a primeira temporada. Afinal, era uma série sobre a trajetória de um grupo de pessoas que tenta sobreviver. 

Então, para mim (e aparentemente para o Lindelof e os demais envolvidos) isso era o importante. Não o que faz um urso polar aparecer na ilha. Esses artifícios podiam até ser boas fontes de entretenimento e formas de aguçar a curiosidade do público, mas nunca foram o centro de Lost. E é exatamente por ser uma ficção científica que tem interesse mais nas pessoas do que nos “fenômenos estranhos” que ela acabou sendo indicada para aqueles que gostaram de Dispatches From Elsewhere.

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