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Clube dos Cinco

Comédias românticas que fogem do clichê

Comédias românticas que fogem do clichê

Embora todos os gêneros cinematográficos possuam suas convenções, nenhum estilo ficou tão marcado por isso quanto as comédias românticas. Dessa forma, elas são lembradas como filmes que seguem a mesma fórmula e percorrem o mesmo caminho. Logo, obtém o mesmo resultado: o casal de protagonistas termina feliz. Embora tudo isso seja verdade, existem algumas comédias românticas que fogem do clichê e é exatamente sobre isso que nós queremos falar hoje.

Os filmes que compõem o nosso Clube dos Cinco podem até parecer óbvios assim que você começa a assistir. Entretanto, uma série de escolhas dos realizadores acaba fazendo com que eles se tornem surpreendentes, seja por separar os personagens ou mesmo por avisar que a história contada não fala sobre amor. Isso prova que nem sempre as produções desse gênero precisam se escorar nos mesmos lugares comuns e que existem comédias românticas que fogem do clichê.

Para a nossa escolha priorizamos filmes recentes pela facilidade de encontrá-los em plataformas de streaming. Entretanto, gostaríamos de mencionar nessa introdução a existência de Se Meu Apartamento Falasse, O Pecado Mora ao Lado e O Casamento de Muriel. Todas essas comédias românticas contam com elementos inesperados e podem te surpreender bastante se você estiver disposto a dar uma chance. É natural que algum gênero cinematográfico não nos agrade, mas invalidar todo um estilo com base no que fez sucesso (ou no que se tornou mais popular) é algo meio bobo. Além de ser algo que potencialmente te afasta de um bom filme.

Se você já gosta de uma boa comédia romântica e quer descobrir algumas que são diferenciadas – até para usar de argumento quando alguém criticar! -, vem conferir o nosso Clube dos Cinco: Comédias românticas que fogem do clichê.

Ruby Sparks – A Namorada Perfeita (Ruby Sparks, 2012)

Comédias românticas que fogem do clichê
Onde assistir: Looke, Apple TV+, Google Play, Microsoft Store

Ao ler o título de Ruby Sparks – A Namorada Perfeita, você já deve estar se preparando para me dizer: “mas não são todas perfeitas quando o assunto é comédia romântica?” Pois é, essa fala não está distante da realidade. Entretanto, no filme de Jonathan Dayton e Valerie Ferris envereda por outros caminhos com a sua protagonista.

Tudo começa pelo fato de que Ruby (Zoe Kazan) é, na verdade, fruto de uma criação de Calvin (Paul Dano), um escritor que está passando pelo famoso bloqueio com o seu novo livro. Solitário e sem esperanças no amor, Calvin descreve em forma de um texto aquela que, para ele, seria a namorada perfeita. Ela, porém, toma forma e é exatamente como nos sonhos do protagonista, o que é fonte de muita felicidade.

Então, por algum tempo nós vemos os dois se divertindo, aproveitando a vida juntos e Calvin se recupera do seu bloqueio. Porém, conforme o relacionamento avança e Ruby não é mais um produto de imaginação, ela passa a ganhar autonomia. E é exatamente essa característica que faz com que a moça se afaste do ideal de perfeição de Calvin, forçando-o a reescrevê-la sempre que alguma atitude rompe com as suas expectativas.

Portanto, o que a gente assiste em Ruby Sparks é uma comédia romântica, mas ela não quer falar somente sobre amor e sobre encontrar a pessoa ideal. Na verdade, o filme é sobre a incapacidade de gostar de alguém sem tentar exercer controle e também sobre as idealizações que se cria em torno de uma pessoa, fazendo com que seja impossível ficar satisfeito com a realidade.

Celeste e Jesse Para Sempre (Celest & Jesse Forever, 2012)

Comédias românticas que fogem do clichê
Onde assistir: Looke, Apple TV+, Claro Video, Google Play, Microsoft Store

Celeste e Jesse Para Sempre, protagonizado pelos maravilhosos Andy Samberg e Rashida Jones, nos “engana” somente até o final da cena de abertura, que mostra vários momentos felizes dos dois. Os personagens título se conheceram ainda no ensino médio e, bem jovens, decidiram que queriam passar a vida toda juntos.  Então, se casaram e conseguiram permanecer unidos até chegarem à casa dos 30 anos, quando as diferenças começaram a pesar exatamente pela maturidade e pelo fato de que os dois não olhavam mais em direções parecidas.

Isso aconteceu porque enquanto Celeste foi adiante com a sua vida, se tornando uma empresária respeitada e de sucesso, Jesse está novamente desempregado. Entretanto, ele sequer está pensando em procurar algo para fazer com os seus dias e se mostra bastante confortável jogando videogame enquanto não decide. Claro, isso acaba fazendo com que Celeste se incomode com a situação e decida que o melhor caminho para os dois é o divórcio.

Entretanto, a separação não é um caminho fácil, visto que ainda existe amor entre os dois. Da parte de Celeste, caso Jesse decidisse “agir como um adulto”, a situação poderia ser resolvida com facilidade. E da parte dele tudo poderia nem ter acontecido, visto que a decisão de concordar com o divórcio foi motivada por pura passividade e falta de vontade de brigar.

E é por falar sobre como o amor não é o suficiente para manter duas pessoas juntas que Celeste e Jesse Para Sempre foi considerado uma comédia romântica que foge do clichê. Embora os mais românticos possam discordar dessa frase, esse filme é a ilustração perfeita de que visões de mundo alinhadas e objetivos similares são tão importantes quanto afeto.

O Casamento do Meu Melhor Amigo (My Best Friend’s Wedding, 1997)

O Casamento do Meu Melhor Amigo
Onde assistir: HBO Go

Nesse ponto, você deve estar pensando que eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo com esse tema, certo? Afinal, O Casamento do Meu Melhor Amigo segue o básico da comédia romântica. Porém, o filme de P.J Hogan quebra algumas convenções bastante importantes do gênero.

No filme acompanhamos Julianne Potter (Julia Roberts), uma crítica gastronômica que nunca teve relacionamentos longos. Quando ainda estava na faculdade, ela conheceu Michael O’Neal (Dermot Mulroney), um romântico jornalista. Os dois tiveram um breve envolvimento, rompido por Julianne, e se tornaram melhores amigos desde então. Posteriormente, fizeram um pacto: caso estivessem solteiros aos 28 anos, eles se casariam. Com a proximidade da data e um telefonema perdido de Michael, Julianne volta a pensar sobre o assunto.

Porém, o que ela não esperava é que Michael estivesse ligando para convida-la para o seu casamento com Kimmy (Cameron Dias). E, então, Jules percebe que tem sentimentos românticos pelo amigo. Até aqui, tudo dentro do clichê. Mas as coisas começam a mudar a partir do ponto em que Julianne tem o seu plano de sabotar o casamento descoberto.

Então, Michael fica sabendo a respeito dos sentimentos da mulher que amou por 10 anos. Assim, ele precisa fazer uma escolha: se casar com Kimmy ou ter uma chance com Julianne. E a escolha dele é bastante surpreendente: Kimmy. Ele estava apaixonado por ela e disposto a construir uma vida ao seu lado. Julianne, entretanto, era uma idealização.

E é por fazer com que Michael escolha o que é real que o O Casamento do Meu Melhor Amigo foi considerado por nós uma comédia romântica que foge do clichê. Afinal, quantas existem por aí em que a mocinha termina dançando com o seu amigo gay no casamento daquele que, supostamente, teria sido o homem da sua vida?

Dontes de Amor

Doentes de Amor
Onde assistir: Globoplay, Telecine Play

Novamente: o título. Eu sei. Porém, desde a sinopse Doentes de Amor já te mostra que é uma comédia romântica que não está assim tão presa às convenções do gênero. Baseada em fatos reais, ela conta a história de Kumail (Kumail Nanjiani), um humorista stand up que também trabalha como Uber. Em uma determinada noite, ele conhece Emily (Zoe Kazan), uma bela estudante.

O interesse entre os dois surge de forma instantânea. Entretanto, os conflitos ligados à cultura da família de Kumail acabam por atrapalhar o romance. Assim, os dois se afastam até que Emily entra em coma e, então, o protagonista precisa decidir entre permanecer ao lado dela e ceder às pressões dos seus pais para se casar com a filha de uma família amiga, que pertence à mesma religião que eles.

Durante boa parte de Doentes de Amor, Emily permanece em coma. Só isso já mostra que essa comédia romântica não é nem um pouco clichê, certo? Assim, durante esse tempo a gente vê Kumail lidando com os seus sentimentos, com as suas crises existenciais e também com os pais dela, que acabam se tornando mais próximos dele do que a própria Emily teve tempo para se tornar.

Porém, o que chama a atenção mesmo no filme é a forma como o humor é utilizado, visto que uma história dessas seria muito mais propensa ao drama. Porém, fazendo uso de piadas que parecem “fora de hora” e feitas em situações constrangedoras, quase que como uma válvula de escape para os personagens, o roteiro de Doentes de Amor é inteligente, bem construído e com certeza diferente dos demais do mesmo gênero.

500 Dias com Ela

500 Dias com Ela
Onde assistir: Looke, Apple TV+, Google Play, Microsoft Store

Desde a sua cena de abertura, 500 Dias com Ela faz questão de anunciar duas coisas: as diferenças entre Tom (Joseph Gordon-Levitt) e Summer (Zoey Deschanel), que são imensas e praticamente insuperáveis; e que o filme não contará uma história de amor, embora fale sobre um garoto que conheceu uma garota e se apaixonou.

Então, quem cria ilusões a respeito do desfecho dos personagens, faz exatamente pelo mesmo motivo que Tom: um romantismo que ignora até os sinais mais explícitos de que nem todo mundo vê o amor dessa forma idealizada. Em partes, um romantismo que é resultado da forma como o cinema e os produtos de entretenimento constroem e expõem a experiência de se apaixonar, sem abrir muito espaço para que os personagens simplesmente não sejam correspondidos.

Portanto, embora Tom se apaixone por Summer, ela insiste em manter as coisas casuais. Mesmo quando demonstra gostar dele e aceita participar de partes mais sérias da sua vida, isso não quer dizer  que os seus sentimentos mudaram. Inclusive, a personagem de Zoey Deschanel é bastante clara quanto ao fato de que, para ela, tudo aquilo pode ser feito sem que necessariamente ela e Tom estejam vivendo uma coisa super séria. Porém, da parte dele, a visão idealizada permanece, fadando a história ao fracasso.

Assim, por ser uma comédia romântica que fala sobre idealizações e sobre como as nossas expectativas são responsáveis pelas nossas frustrações amorosas, 500 Dias com Ela foge do clichê. E continua fugindo quando coloca Summer enquanto uma mulher independente e que não tem o amor como o centro de sua vida e único objetivo. E é por tudo isso que o filme fecha o nosso Clube dos Cinco: Comédias românticas que fogem do clichê.

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