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Maratômetro

Maratômetro: As 15 melhores séries originais da Netflix

O Maratonista de Menu está sempre fazendo listas, sejam elas de cancelamentos, estreias ou mesmo de séries bem avaliadas pela crítica.

Entretanto, a opinião da equipe do site não costuma aparecer muito nessas ocasiões. Dessa forma, pensamos em criar uma coluna somente para compartilhar séries e filmes disponíveis em streaming que nós assistimos e gostaríamos de indicar para quem nos acompanha.

Assim surgiu o Maratômetro, cuja primeira edição será centrada nas nossas séries originais preferidas da Netflix.

Realizamos um levantamento de todos os programas do tipo que assistimos – foram mais de 50! – e reduzimos para as 15 séries que mais gostamos. Serão atribuídas notas e explicaremos de maneira breve o que nos agrada em cada uma delas.

Vem com a gente conferir!

Série: Unbreakable Kimmy Schimidt

O senso de humor de Kimmy Schimidt foi algo que me ganhou ainda no primeiro episódio.

Afinal, suspenses e dramas sobre pessoas que foram raptadas e passaram a viver como membros de cultos são bastante comuns, mas quem pensaria em fazer uma comédia sobre isso? Especialmente uma que funcione. Pois é.

Mas, desde a primeira cena eu já estava rindo como não ria há muito tempo. A música do apocalipse e a abertura da série foram o suficiente para que eu acompanhasse a Unbreakable Kimmy Schimidit até o fim.

Ver a personagem título se adequando ao mundo e questionando coisas como a popularidade dos Hanson, por exemplo, não teve preço. Ainda que alguns trechos da terceira temporada tenham sido mais fracos que o restante da série, o saldo geral é bastante positivo.

Série: Orange is the New Black

Esse foi o primeiro original da Netflix que assisti. Quando House of Cards foi lançada, eu já era assinante do streaming, mas essa série só foi notada por mim algum tempo depois.

Já conhecia o estilo de Jenji Kohan, a roteirista, por causa de Weeds e não pensei duas vezes antes de dar uma chance – mesmo com a queda drástica de qualidade da série citada depois da terceira temporada.

Porém, Orange is the New Black conseguiu me conquistar muito mais por abordar questões sérias, como tensões raciais e a violência policial, de uma forma leve, mas ainda capaz de emocionar e provocar reflexão.

Existem vários episódios de cortar o coração nas sete temporadas da série, mas na mesma proporção existem cenas que te fazem morrer de rir. E é por essa combinação eficiente – e uma temporada de encerramento lindíssima – que Orange is the New Black aparece nesse Maratômetro.

Série: Mindhunter

Se ainda não ficou claro para vocês pelo Streamingverso:  Eu vejo gente morta, eu vou deixar isso bem claro agora: eu gosto bastante de suspenses.

Caso eles envolvam um serial killer, eu gosto ainda mais. E se eles forem baseados em casos reais, pronto, nem precisa fazer muito esforço para que eu elogie. Mindhunter conta com todas essas características e ainda tem a Anna Torv no elenco – e, bem, Fringe é uma das minhas séries preferidas da vida.

No caso de Mindhunter, para mim, é um atrativo sem igual ver o surgimento de toda a ciência por traz dos padrões usados pela polícia para mapear o comportamento de criminosos.

Algumas pessoas podem considerar o ritmo meio lento, já que não existem perseguições em todos os episódios ou mesmo um vilão a ser caçado pela equipe de policiais. Porém, para o meu gosto, somente os diálogos entre os detetives e nomes infames como Ed Kemper (Cameron Britton) são os suficiente. Eu nem pisco assistindo.

Aliás, o Cameron Britton é um show a parte e vale pelo menos duas das TVs que eu dei como nota para a série.

Série: House of Cards

House of Cards me ganhou na primeira quebra da quarta parede feita por Frank Underwood (Kevin Spacey).

Posteriormente, as intrigas políticas foram me prendendo. Além disso, a forma como o protagonista se livrava de todos os obstáculos rumo ao poder, me fazia sempre querer saber quem seria o próximo alvo derrubado. Portanto, eu me mantive intrigada por cinco temporadas – ainda não assisti a última.

Entretanto, se tem uma coisa que eu sempre falei sobre a série é que, na verdade, eu estava assistindo The Claire Underwood Show. A personagem de Robin Wright me prendia pela compostura que ela conseguia manter enquanto conduzia as armações mais absurdas.

Além disso, Claire era tão ambiciosa quanto Frank, o que me fazia ter certeza de que, eventualmente, um embate entre eles aconteceria. E foi pra isso que eu vivi desde o primeiro ano de House of Cards.

Série: A Maldição da Residência Hill

Apesar de gostar bastante de suspense e terror, eu sou a primeira pessoa a admitir que é raro conseguir encontrar uma série ou filme que tenha qualidade em todos os aspectos.

Por vezes, a ideia é boa, mas e a parte técnica acaba deixando a desejar. Em outras situações, o abuso dos “jump scares” me faz revirar os olhos. Por fim, ainda existem casos em que o roteiro parece tão pobre que não dá para acreditar em absolutamente nada das motivações dos personagens.

Além disso, quando um filme/série envolve elementos sobrenaturais de forma descarada – fantasmas, por exemplo -, a minha tendência é torcer o nariz. Mas isso não aconteceu com A Maldição da Residência Hill.

Ainda que a série conte com todos esses elementos (em maior ou menor escala), ela sabe dosar muito bem e utiliza-los com precisão. Também é digno de nota o fato de que o roteiro usa o subtexto para discutir outras questões mais tangíveis. Isso deixa tudo mais interessante do que simplesmente o susto pelo susto.  

Série: The Keepers

Esse é o único documentário da lista, ainda que a Netflix possua várias produções desse gênero entre os seus originais. Porém, nenhum me marcou tanto quanto The Keepers até o presente momento.

Ainda que o ponto de partida da narrativa seja o assassinato de uma freira, Catherine Cesnik, a série não é exatamente sobre isso. Para mim, ela funciona como uma forma de dar chance às vítimas de gritarem o que aconteceu com elas, já que na época em que os eventos se desenrolaram, elas foram silenciadas.

Caso você não saiba do que se trata, The Keepers fala sobre a Irmã Cathy, que deixou a escola católica em que lecionava e residia para comprar um presente para sua irmã. Ela nunca mais foi vista por ninguém. Dois meses depois, o seu corpo foi encontrado pela polícia. Entretanto, o crime não foi solucionado.

Porém, o assassinato é apenas um “evento pequeno” diante de tudo que o ocorreu após o crime. Dentro do documentário, ele serve para que seja exposta ao público uma história muito mais horrível do que se pode imaginar à primeira vista.

Para dizer o mínimo e não dar mais spoilers, depois de falar da morte de Cathy, The Keepers mergulha em uma narrativa sobre padres pedófilos e abusos sexuais. Assistam, vale muito a pena – claro, se você não for sensível a esse tipo de conteúdo.

Série: Crônicas de San Francisco

Ainda que Crônicas de San Francisco conte com várias minisséries, a versão produzida pela Netflix foi a minha preferida até o momento.

Pela sensibilidade no tratamento de algumas questões, pela estética e também por ser extremamente atual. Daqui há alguns anos ela poderá ser usada como “documento” de tanta coisa que isso é, no mínimo, um feito a se considerar. E a série ainda se torna mais especial quando você se pensa que não existe qualquer didatismo no texto.

Além disso, ver todos aqueles personagens lidando com as consequências das escolhas que fizeram quando ainda eram jovens – e vendo isso reverberar nas gerações posteriores –, foi algo dolorido e bonito ao mesmo tempo. O elenco está todo afiado e as cenas que contam com “choques geracionais” são muito divertidas de acompanhar.

Eu juro que a minha vontade era me mudar para o nº 28 da Barbary Lane no momento em que acabei de assistir a série.

Série: The Crown

Eu sou uma pessoa zero apegada à monarquia britânica.

Sabia o nome da princesa Diana, da rainha Elizabeth II e era isso. Enquanto todo mundo acompanhava um desfile de chapéus feios nos casamentos dos filhos de Diana, eu pensava: “porque, meu Deus?”.

Mas eu tenho uma amiga que está no extremo oposto. Pode sair um documentário sobre o mordomo daquele tio que nem a própria Elizabeth lembra que teve e ela vai assistir. Assim, eu sempre ouvi falar de The Crown e esse ano resolvi dar uma chance para a série (depois que Gillian Anderson foi anunciada como a Margaret Thatcher).

Às vezes é bom queimar a língua. Elogiar a qualidade técnica é falar o óbvio. Babar pelo elenco impecável é o mínimo que alguém pode fazer depois de assistir essa série.

Então, o que eu quero dizer mesmo é que: é um verdadeiro milagre uma série com esse tema ter um ritmo tão bom, especialmente quando as intrigas nos bastidores do poder ainda não são muitas e a Betinha (agora a gente é amiga) parece cercada de gente chata.

Série: Areia Movediça

Fiquei sabendo da existência de Areia Movediça por esse vídeo aqui. Assim que acabei de ver, abri a Netflix para assistir a série e não consegui parar até saber o final.

A estrutura fragmentada usada para expor a história e o fato de que a gente já sabe que tudo acaba mal para a protagonista, fazem com que seja impossível desgrudar antes de saber como aqueles jovens ricos chegaram ao ponto que chegaram. E eu preciso te alertar que você não vai saber até os momentos finais. Então, se prepare para uma maratona intensa.

Além da “tragédia anunciada”, o que me prendeu a Areia Movediça foram, sem dúvidas, os rumos cada vez mais incomuns que a narrativa toma. Nada é previsível ou acontece conforme você espera – algo louvável, já que o tema não é exatamente novo.

Os personagens vão se revelando aos poucos e as suas motivações se desenham de maneira sutil e gradual. Outra coisa que me atraiu bastante foi a ausência de mocinhos e vilões: existem apenas pessoas quebradas, que tomam atitudes bem ruins, sem se importar como isso vai afetar aos demais ou a eles mesmos.

Série: Gracie & Frankie

Jane Fonda e Lilly Tomlin.

Tem que falar mais alguma coisa? Afinal, são duas lendas, com carreiras consolidadas, prêmios e múltiplas funções acumuladas ao longo dos anos na indústria do entretenimento. E partindo para uma série de comédia.

Além disso, ver as duas interpretando opostos complementares é muito divertido. A forma como a amizade entre Grace (Fonda) e Frankie (Tomlin) se desenvolve, com base no respeito de admiração mútuos, é linda. Quando a gente percebe, elas se amam incondicionalmente e estão dispostas a tudo uma pela outra.

Os coadjuvantes são um show a parte na série. Sabendo que Grace & Frankie vai acabar na 7ª temporada, eu não consigo pensar no que vai ser da minha vida sem nunca mais ouvir um comentário seco e irônico da Brianna (June Diane Raphael).

Série: Olhos que Condenam (When They See Us)

Desde que assisti 13ª Emenda, a Ava DuVernay passou a poder contar comigo para tudo. Portanto, se vocês me avisarem que ela vai dirigir um comercial de papel higiênico de duas horas, eu vou assistir com atenção. Juro.

Além da diretora, conhecia vagamente a história dos Central Park Five e achava tudo completamente absurdo. Dessa forma, o meu interesse era assisti-la em maiores detalhes e contada sob a ótica de alguém que possuía a sensibilidade necessária para tratar todas as questões envolvidas na prisão injusta daqueles cinco garotos.

Olhos que Condenam é um verdadeiro soco no estômago. Para mim, essa série deveria ser assistida por todas as pessoas que têm certezas demais em casos criminais que ganham repercussão midiática. Geralmente, tais julgamentos acabam adquirindo um caráter de “circo” e existem muitos interesses envolvidos. Todos eles vão além da simples apuração dos fatos.

Série: Inacreditável (Unbeliavable)

Meu primeiro contato com a história retratada em Inacreditável foi através do livro que serviu como base para o roteiro da série, Falsa Acusação –  Uma História Real. Poucos dias depois de terminar a leitura soube que a história seria filmada pela Netflix em forma de minissérie.

O resultado, para mim, foi impecável. Claro, existem muitos detalhes que não foram incluídos em Inacreditável – e eu mesma já respondi algumas dúvidas sobre pontos específicos nas redes sociais -, mas o essencial está ali.

Toda a ideia da série – e do livro – é ressaltar a importância de se acreditar nas vítimas. Mesmo que elas mudem de ideia sobre detalhes do crime. Mesmo que, por vezes, elas entrem em contradição. Ainda que elas não sejam o que se espera de uma “vítima perfeita”. O fato central, o estupro, é o elemento da história que permanece e que deve ser levado em consideração.

Essa importância foi muito bem destacada em Inacreditável. Seja pela obstinação da personagem de Toni Collette, que parecia a ponto de socar alguém para conseguir respostas; pela coragem das vítimas ao repetir toda a história em todas as situações necessárias; ou pelo fato de que caso Marie (Kaitlyn Dever) tivesse sido acolhida e não pressionada, todas as outras que vieram depois dela não precisariam ter passado pelos horrores que passaram.

Série: Boneca Russa (Russian Doll)

A ideia de manter um personagem preso em um mesmo dia ou evento não é algo novo. É só lembrar de Feitiço do Tempo ou dos inúmeros episódios de séries que já fizeram uso desse recurso.

Devido a isso, o principal mérito de Boneca Russa é não se ater somente ao loop vivido por Nadia (Natasha Lyonne) ou à sua tarefa para conseguir quebrar o ciclo. A grande sacada do roteiro é fazer com que a personagem precise revisar a sua vida, os seus hábitos e a sua trajetória para conseguir encontrar uma maneira de modificar a sua nova realidade.

Focando muito mais no desenvolvimento humano e em uma história que fala sobre encarar de frente a vida, Boneca Russa é inteligente, sensível e consegue ultrapassar o lugar-comum de sua premissa de uma forma surpreendente e agradável.

Se isso tudo não te convenceu, dê uma chance para a série para ver as formas de “matar” Nadia se tornando cada vez mais criativas e inesperadas.

Série: Big Mouth

Embora eu goste das piadas, do humor bagaceiro e da falta de preocupação com o bom gosto, o que mais me atrai em Big Mouth não é nada disso.

A animação ocupa uma posição tão alta na minha lista porque eu acho que ela é um verdadeiro serviço de utilidade pública – tanto para quem tem a idade dos personagens, quanto para quem já passou pela puberdade há muito tempo.

Ainda que eu tenha as minhas dúvidas sobre o fato de pré-adolescentes gostarem de se ver retratados daquela forma, todos eles deveriam assistir Big Mouth. De uma forma engraçada e bastante simplificada, a série explica tudo o que acontece com o corpo e a cabeça das pessoas nessa faixa etária. Os adultos, por sua vez, deveriam assistir para lembrar que crescer não é nada fácil – e para evitar ser qualquer tipo de pai e mãe representado ali.

De verdade: eu gostaria de ter uma série como essa disponível com tanta facilidade quando eu tinha uns 13 anos.

Série: Sex Education

Assim como Big Mouth, Sex Education também é um verdadeiro serviço de utilidade pública.

Entretanto, o humor é usado de uma maneira diferente e os protagonistas estão em uma etapa posterior das suas vidas, ainda mais complexa.

Para além do que todo mundo elogia, o que me faz colocar essa série em primeiro lugar é a sensibilidade para lidar com qualquer questão que ela decida abordar.

Do assédio sofrido pela Aimee (Aimee Lou Wood) à depressão do Jackson (Kedar Williams-Stirling), nada é tratado de forma leviana ou jogado ali apenas pela “representatividade”. Existe aprofundamento e, mais do que isso, essas questões têm uma função narrativa, ajudando a avançar plots ou a levar personagens por rumos completamente distintos.

Mas, claro, o humor também é algo que eu gosto bastante. Não tem como não gostar.

E eu já falei que a Gillian Anderson faz a mãe do protagonista? Pois é.

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