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Tubarão: Do (quase) desastre ao blockbuster

Tubarão: Do quase desastre ao blockbuster
Onde assistir: Prime Video, Telecine Play

Nós não poderíamos deixar de fora do nosso especial de Halloween um dos maiores clássicos do terror da história do cinema: Tubarão (Jaws, 1975). Embora alguns, mais desavisados, o coloquem no balaio dos filmes “trash”, já que a sua temática é facilmente ligada a este subgênero pelos exageros. E nada mais peculiar que um tubarão que “decide” atacar uma cidade e faz com que seus moradores fiquem aterrorizados, não é mesmo? Mas, o fato é que o filme, dirigido por Steven Spielberg, está longe de trash e, na verdade, é excelente.

Então, então, ele se tornou o protagonista do nosso Por Trás das Câmeras. Há 45 anos, Spielberg não só deu conta de desenvolver esse projeto incrível como também fez com que ele se tornasse um dos maiores clássicos do “terror aquático” de todos os tempos, sendo visto, lembrado e celebrado ainda hoje com a mesma empolgação do que na década de 1970.

Para muitas pessoas, em um primeiro momento, não vai fazer sentido algum homenagear esse filme, dando para ele uma das maiores publicações que costumamos fazer por aqui. Mas, fique por aí e lia até o final. Nósprometemos que tudo vai fazer sentido e você, caso não tenha assistido Tubarão, com certeza vai ficar curios ver de perto um dos trabalhos mais significativos de Steven Spielberg. 

Preparados? Vem com a gente!

Criatividade em meio ao caos

Tubarão: Do quase desastre ao blockbuster

De saída, podemos dizer que o começo das gravações não foi dos melhores. Assim, quando tudo parecia que não ia sair do lugar, não sei se a criatividade ou a vontade de fazer acontecer, foi o combustível para que Spielberg, até então um diretor inexperiente, seguisse em frente. De acordo com o ator Richard Dreyfyuss, na época em que as gravações deveriam estar começando, eles não contavam ainda com um roteiro, não tinham atores e, bem, nem mesmo o tubarão existia. 

Agora vocês pensem comigo: um filme sobre um tubarão assassino, sem o tubarão? E ai? Ele seria só citado, não apareceria, o medo ficaria por conta da criatividade de quem assistisse? Até poderia, já que este também é um recurso muito usado e não necessariamente o “mal” aparece explícito na tela. Mas não era o caso dessa produção. Esperava-se um tubarão, oras!

Hoje em dia, com todas as tecnologias possíveis, seria muito fácil de um dia para o outro terem um tubarão feito no computador e inserido nas imagens do filme. Mas, naquela época, as coisas definitivamente não funcionavam assim. Era preciso construir um tubarão mecânico para as filmagens. E é claro que isso não aconteceria sem todas as dificuldades possíveis.

Portanto, posteriormente, o “vilão” do filme passou a existir. Mas, e aí, deu tudo certo? Óbvio que não. O tubarão mecânico fez questão de dificultar um pouco da produção do filme que, inicialmente, contaria com 55 dias. Porém, fim das contas, precisou de 159 dias para ser concluída e com um orçamento que saiu do controle. Portanto, Tubarão acabou custando três vezes mais do que foi programado incialmente. Um grande “que fase” para Steven Spielberg e sua equipe. Mas, é claro que ele não desistiu de fazer o filme. Caso contrário, não nós não estaríamos aqui nesse momento.

O começo e o fim da carreira de Spielberg

Tubarão: Do quase desastre ao blockbuster

Se hoje nós estamos aqui, com inúmeras produções de Steven Spielberg, foi por que ele persistiu nesse começo conturbado da sua carreira e não entregou os pontos.

Tubarão poderia ter sido um fracasso tão gigantesco na vida do diretor, que havia a possibilidade de enterrar de vez a sua carreira, que mal havia começado. Até o momento em que o longa foi produzido, Spielberg somente havia dirigido quatro filmes, sendo 3 deles para a TV. Mas, felizmente, isso não aconteceu. O próprio diretor tomou consciência na época de que estava cometendo uma loucura ao continuar com o projeto e que isso nem longe vinha somente da sua mente. 

Em meio às loucuras que Steven Spielberg teve que enfrentar para viabilizar um filme tão ousado quanto Tubarão,  ele ouviu de uma atriz muito famosa, que havia chegado de Los Angeles há pouco tempo, dizendo que seu nome estava “na boca do povo” e que todos estavam falando o quão irresponsável Spielberg estava sendo com a produção do filme. Ela também disse que ele nunca mais iria ser contratado por ninguém pela quantidade absurda que estava gastando. Todas essas falas foram relatadas pelo próprio diretor.

Tubarão e a nova era de Hollywood

Tubarão: Do quase desastre ao blockbuster

Se você acha que nesse ponto ele tomou a decisão de parar, se enganou. A insistência de Spielberg em acreditar no seu projeto, mesmo diante de tantas críticas e da possibilidade de que esse fosse o fim de sua carreira, valeram a pena. Em 2020, Tubarão completou 45 anos de idade e vem envelhecendo muito bem, já que se tornou um dos maiores clássicos do cinema e nunca mais foi esquecido.

Inclusive, a estréia do filme foi responsável por uma “nova era de Hollywood”. Ou seja, o Tubarão não estava para brincadeira. E Spielberg colheu os louros de sua determinação ao continuar com o projeto, mesmo diante de tantos comentários de que ele estaria, no mínimo, enlouquecendo.

Com isso, “a nova era” mostrou uma forma diferente de fazer cinema, além de sua divulgação inovadora e da forma como os filmes passaram a ser consumidos depois disso. Sendo assim, Tubarão pode ser considerado o primeiro blockbuster de Hollywood.

A inexperiência e insistência de Spielberg

Steven Spielberg

Na época em que Steven Spielberg encarou esse “rojão”, ele tinha apenas 27 anos e, conforme citamos, pouca experiência. Quanto mais da magnitude do que ele estava fazendo acontecer em Tubarão. E mesmo assim ele decidiu levar em frente a adaptação cinematográfica do best-seller de Peter Benchley. 

Além de tudo que falamos até agora, um dos maiores erros de principiante de Spielberg, que inclusive mostrou a ousadia do novato, foi de gravar no Oceano Atlântico, ao invés de optar por algo mais facilmente controlável, como um lago particular. Ou mesmo uma simulação do mar, feita em uma piscina em um estúdio, por exemplo. Mas aqui temos coragem e o diretor, mesmo sem saber o que estava fazendo, foi além. E é exatamente assim que nascem os clássicos. 

Problemas técnicos 

Steven Spielberg

Um dos motivos pelos quais o Spielberg deveria ter sido, talvez, menos teimoso e optado por gravar as cenas de mar em um local menos arriscado, era pelo fato de que, ao decidir gravar no mar, o sal do local fazia com que os mecanismos do incrível tubarão mecânico fossem prejudicados. Então, mais um problema se instaurava no set de filmagens. Como se não bastasse todo o resto.

Só para vocês terem uma ideia, o tubarão mecânico do filme pesava de 12 toneladas, media 7,6 metros e contava com 14 operadores. Somente por isso ele já era problema suficiente para encarar Mas, o diretor conseguiu ultrapassar isso por bater o pé com a sua ideia inovadora e comprou uma verdadeira briga.

Em vários momentos os encarregados pelo tubarão gigantesco não conseguiam manobra-lo. Além disso, vários outros empecilhos, como o fato de que não era muito fácil conseguir uma tempestade e, quando conseguiam, algo surgia para atrapalhar a filmagem. Nada fácil.

Entretanto, como nem tudo é tristeza e dificuldade, as várias horas perdidas no set beneficiaram os atores, que passaram a ter mais intimidade com seus personagens e criavam improvisações que deixavam as cenas mais realistas. Um ponto positivo, mesmo que sem querer. Algum tinha que ter.

 A reação do público

Steven Spielberg

Sem o público, no fim, nada seria possível. E todo o esforço e loucura de Steven Spielberg ficaria registrado ali, mas não teria a magnitude que tem hoje. Mas, apesar de estarmos falando de um filme de suspense/terror, contamos com um final feliz para essa história.

Assim, o público não só foi essencial para que Tubarão se tornasse um sucesso como garantiu que ele seria lembrado para sempre como referência no “terror aquático” como o longa-metragem que inaugurou uma nova era, cheia de possibilidades. E, inclusive, serviu de inspiração para vários outros, filmes do segmento, dos sérios aos trashes.

Em um primeiro teste de exibição do longa, que aconteceu em Dallas, o Spielberg presenciou uma cena um tanto curiosa: um espectador deixou  sala de cinema, se encaminhou para o banheiro do local para vomitar e, posteriormente, retornou à cadeira onde estava sentado. Por mais que as cenas fossem grotescas e despertassem nojo, o público queria assistir e ver onde a história chegaria. E foi esta curiosidade mórbida que tornou Tubarão um sucesso.

 Diante disso, o diretor que já havia ousado o quanto pôde, decidiu ir além. Aí vocês me perguntam: e tem como? Tem. Spielberg, então, decidiu filmar usando de uma piscina uma nova cena, que foi inserida no filme posteriormente. Nela, Hooper se depara com a cabeça de um pescador decapitada. Isso foi motivo suficiente para gerar tensão no público o resto da sessão. 

Por mais que não se possa ignorar o fato de que Tubarão foi importante para o cinema em vários aspectos, também assumimos aqui que, na posição de blockbuster, ele se tornou extremamente comercial e, com isso, elevou as expectativas dos estúdios em relação ao poder econômico contido no cinema. Mas, as experiências por mais que tenham se tornado mais comuns em relação às superproduções, ainda eram vendidas como um verdadeiro acontecimento antes mesmo de verem a luz do dia.

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