fbpx

Clube dos Cinco: Séries de super-heróis que merecem uma chance

Em pleno 2020, a temática de super-heróis já está saturada para muitas pessoas.

Deixando de lado o universo cinematográfico e falando somente das séries – foco do Clube dos Cinco de hoje –, não dá nem para precisar quantas foram feitas desde que Arrow estreou, ainda em 2012, e se tornou um sucesso de audiência.

Porém, por mais que esse tema tenha cansado grande parte do público, existem alguns produtos que merecem uma chance e, para mim, são capazes de atrair mesmo que não é muito chegado a histórias desse tipo. E é exatamente isso que tentaremos te mostrar aqui.

Seja por discutirem questões sociais ou por mostrarem a história de algum personagem famoso sob outra ótica, os programas escolhidos para a nossa coluna de hoje fogem bastante do mais do mesmo que se espera da temática e, portanto, podem acabar caindo no gosto mesmo de quem acha que já viu tudo o que as adaptações de HQs têm para oferecer.

Vem com a gente conferir quais são as séries de super-heróis que merecem uma chance!

Disponível em: Netflix

Se existe um super-herói que recebeu mais atenção do que o Batman ao longo dos anos, eu desconheço.

Não dá nem para contar quantas séries animadas o defensor de Gotham City ganhou ao longo dos anos. Isso sem falar em uma série de TV live action, feita ainda nos anos 1960, e nos numerosos reboots de filmes – inclusive, já existe mais um sendo gravado.

Portanto, Gotham poderia ser só mais uma na multidão se não fosse pela ideia dos criadores de não usarem a figura do Homem-Morcergo como personagem central. A grande sacada da série está no fato de que Bruce Wayne (David Mazouz) é apenas uma criança lidando com o luto quando tudo tem início.

Assim, a verdadeira protagonista da série é a cidade de Gotham – ainda que alguns insistam em dizer que é o Detetive Gordon (Ben McKenzie). Gordon pode até estar ali combatendo o crime, mas o que chama a atenção na série de verdade é ver todos os personagens que se tornaram famosos no universo “nascendo” e entender como eles se tornaram o que são.

Por se tratar de uma espécie de “série de origem” de toda essa galera e também do próprio crime em Gotham City, a gente indica muito que você assista Gotham. O programa pode dar as suas derrapadas no percurso, mas é ótimo para quem quer conhecer melhor um universo que já chegou “pronto” para quem não tem o hábito de consumir quadrinhos.

Disponível em: Netflix

Se o Batman teve toda a atenção do mundo ao longo dos anos, o mesmo não se pode dizer de Luke Cage.

Inclusive, o meu primeiro contato com o super-herói em questão foi quando a Netflix anunciou que produziria quatro séries da Marvel (Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro) e, posteriormente, uma minissérie unindo todas elas.

Como gostei bastante da perspectiva que o serviço de streaming trouxe para Demolidor – mas isso é assunto para daqui a pouco -, decidi dar uma chance a Luke Cage e acabei gostando muito.

Por vezes, a série parece jogar informações demais para o público na tentativa de apresentar um personagem praticamente desconhecido. Entretanto, isso não chega a comprometer o produto final, só faz com que você precise ter mais atenção do que o normal para conseguir absorver todos os detalhes e realmente conhecer aquele universo – que é muito bem construído, aliás.

E, para além da apresentação de Luke (Mike Colter) e dos demais personagens, o programa ainda tem a tarefa de desenhar um contexto social complexo e pouco abordado nos quadrinhos de forma geral. Afinal, de quantos super-heróis negros você consegue se lembrar?

Porém, Luke Cage faz isso muito bem e a gente consegue entender todas as tensões, as suas origens e porque as coisas são como são no Harlem, local em que os personagens vivem.

Ousada e bastante rica em referências, a terceira série da Marvel pela Netflix propõe uma reflexão bastante interessante sobre o fato de que Luke é indestrutível, mas precisa ver os seus iguais sofrendo diariamente com a realidade cruel do contexto em que vivem.

Disponíveis: Netflix

A primeira série da Marvel com a Netflix, para mim, foi absurdamente necessária. O motivo é bem simples: sempre considerei o Demolidor um personagem muito interessante e a única representação dele anterior à série é aquele filme desastroso com o Ben Affleck.

O primeiro ponto que gostei na série foi o fato de que o Matt Murdock (Charlie Cox), enquanto um super-herói, demora bastante para emergir. A gente conhece primeiro a figura do advogado, o seu desejo de defender pessoas necessitadas e somente depois o herói surge. Além disso, o surgimento dele está diretamente ligado ao seu lado de “pessoa comum” e à sua profissão.

E mesmo quando o Demolidor aparece, de início, a gente percebe que ele não tem características de “deus”. Matt faz esforço para vencer as suas lutas, se machuca e, por vezes, tenta dar conta sozinho de muito mais do que poderia pelo seu desejo de mudar a realidade de Hell’s Kitchen, bairro no qual a ação se passa.

O fato de que existe uma boa dose de ingenuidade no personagem – e em seus “fiéis escudeiros”, Foggy Nelson (Elden Henson) e Karen Page (Deborah Ann Woll) -, deixa essa representação do Demolidor ainda mais interessante. Ele realmente não faz ideia do tamanho do problema em que está se metendo e a figura de Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) vai se agigantando somente quando é tarde demais para voltar atrás e a única saída é ir até o fim.

Portanto, o espectador ainda acompanha um crescimento gradual, tanto de personagem quanto dos inimigos e das situações em que Matt entra. E isso é o mais fascinante de Demolidor.

Disponível em: Prime Video

Para quem já está completamente cansado de séries retratando tipos heroicos e que usam os seus super poderes somente para o bem comum, The Boys é, sem dúvidas, um respiro.

Para mim, ela poderia ser descrita como uma série de anti-heróis. E não daqueles carismáticos, que a gente acaba torcendo para se darem bem, mas sim no sentido de figuras antagônicas ao que se espera de um super-herói e de toda a mitologia em volta deles.

Isso se deve ao fato de que todos eles – salvo a Starlight (Erin Moriarty) – usam as suas habilidades para benefício próprio e para continuarem com o seu status de celebridade perante as pessoas comuns. A maior representação disso é o Homelander (Antony Starr), mas isso se aplica a absolutamente todos os heróis representados em The Boys.

Eles possuem problemas comuns, são pessoas de moral bem questionável e que colocam ambições próprias acima de qualquer coisa.

Tanto é que em uma das primeira cenas da série vemos a namorada de Hugie (Jack Quaid) sendo morta por A-Train (Jessie T. Usher) bem diante dos olhos do protagonista e a grande preocupação do velocista é como isso vai afetar a sua situação n’Os Sete, o time de heróis de primeiro escalão.

Ainda que Maeve (Dominique McElligott) e Starlight se mostrem cansadas desse domínio e inclinadas a implodir tudo,  o interesse das grandes corporações no dinheiro gerado pelos heróis pode torna-las impotentes, mesmo que sejam duas pessoas dotadas de super poderes, por mais irônico que soe.

É exatamente esse “desprezo” que The Boys tem pela figura dos heróis e todo o deboche no tratamento dado a eles que tornam a série algo único e que merece ser visto – especialmente se você quiser ver umas alfinetadas para um certo estúdio ao longo do texto certeiro da série.

Disponível em: HBO Go

O que faz Watchmen ser uma série que eu indico mesmo para quem não gosta de super-heróis é o fato de que você não precisa necessariamente simpatizar com a temática para ficar completamente impressionado.

As discussões vão muito além dos vigilantes – assim como na obra original – e podem ser aproveitadas por qualquer um. Claro, se você estiver disposto a tentar entender como elas se aplicam à realidade.

A grande sacada de Damon Lindelof, o showrunner, foi ter pensado Watchmen em forma de minissérie – ainda que aquele final dê uma vontade de saber o que aconteceria depois. Tudo tem começo, meio e fim. Um final aberto? Sim. Mas que conta com uma pergunta cuja resposta foi dada pouco antes e basta que a gente pense um pouco para entender.

Além disso, o fato de que Lindelof optou por não adaptar os eventos da HQ, mas sim se basear no universo pra contar outra história foi muito mais interessante do que simplesmente trazer de volta caras conhecidas. Isso permitiu ao criador de Watchmen acrescentar camadas e retomar os antigos vigilantes sem necessariamente fazer deles o motor da trama.

Por exemplo, Ozymandias (Jeremy Irons) se faz importante em um determinado ponto por ter sido a mente responsável pela lula gigantefato que reverbera em na adaptação da HBO. A Silk Espectre (Jean Smart) aparece como detetive que está investigando os eventos ligados à Sétima Kavalaria, grupo fascista que usa máscaras bem similares às de Rorscharch.

Existem mais interseções, mas traze-las para cá seria dar spoilers que eu não gostaria de ter recebido antes de ver a série porque o choque foi real. Caso você seja um fã das HQs de Watchmen, a série valerá muito a pena por ter um subtexto rico e cheio de referências para quem leu.

Mas, se você não tem ideia do que se trata, ainda poderá assistir sem grandes dificuldades, só vai levar mais tempo para que alguns detalhes se encaixem. Porém, tudo o que você precisa saber sobre o passado será explicado em seu devido tempo e com a quantidade exata de detalhes para que você consiga aproveitar a experiência.

LEIA TAMBÉM:

15 séries mais bem avaliadas da HBO

Maratômetro: As 15 melhores séries originais da Netflix

Streamingverso: “Sem sopa para você!”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *