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Clube dos Cinco: Spin-offs que deram muito errado

Existem vários motivos que podem levar uma determinada emissora a optar por fazer um spin-off de uma série.

Em grande parte dos casos, esses produtos derivados passam a existir quando um programa atinge grande sucesso com o público. A partir disso, os responsáveis desejam encontrar outras maneiras de lucrar com ele. Assim, um personagem que deixou a trama da série original pode ganhar um “show solo”, por exemplo.

Embora esse seja o principal motivo, por vezes, os spin-offs também surgem quando uma trama paralela desperta o interesse do público. Mas, como ela não tem uma função narrativa dentro da obra original, cria-se o derivado para explora-la. A título de ilustração é possível citar House of the Dragon, que surgiu a partir de Game of Thrones.

Muitas pessoas se sentem intrigadas pela história da família Targaryen, que já havia sido dizimada há algum tempo quando os eventos de GoT se desenrolaram. Devido a isso, os parentes de Daenerys (Emília Clarke) acabaram ganhando um spin-off que vai se dedicar a abordar a sua trajetória – mas ainda não tem data de estreia, infelizmente.

Por se tratar de programas que vieram de séries já consagradas, por vezes, os spin-offs acabam surfando no sucesso dos seus originais e conseguindo emplacar algumas temporadas. Existem situações em que eles chegam a superar esse sucesso, como é o caso de Law & Order: Special Victims Unit, muito mais comentada, premiada e popular do que Law & Order.

Porém, a gente não quer falar sobre os casos de sucesso hoje, mas sim dos fracassos homéricos. Embora alguns dos nossos cinco selecionados tenham, de saída, cara de coisa que nunca emplacaria (nem mesmo em um nicho específico), outros até prometiam ser interessantes, mas acabaram falhando miseravelmente pelos mais variados motivos.

Vem com a gente conferir quais são os spin-offs que deram muito errado!

Onde encontrar: Indisponível em streaming (pra sua sorte)
Onde encontrar a série original: Netflix

Atualmente, RuPaul’s Drag Race é uma série consolidada, de sucesso e que conta com mais de um spin-off.

Entretanto, as coisas não eram exatamente dessa forma no ano de 2010, quando RuPaul Charles, o apresentador e dono da franquia, decidiu tentar a sorte com RuPaul’s Drag U.

Primeiramente, é importante destacar que a popularização de Drag Race aconteceu de fato (pelo menos no Brasil) por volta do 6º ano do programa, em 2014. Antes, ainda que algumas pessoas já conhecessem de nome ou tivessem assistido à 2ª temporada (que foi exibida pelo Multishow), o reality show estava longe de ser um fenômeno.

Dessa forma, eu nunca vou entender como RuPaul conseguiu vender pra a LogoTV a ideia de produzir Drag U. Em linhas gerais, o spin-off em questão tem como foco um desafio bastante popular do Drag Race, o da transformação. Porém, no reality derivado, as antigas competidoras de RPDR precisam transformar mulheres em drag queens e apresenta-las a um time de jurados.

Até aí, tudo soa bastante parecido com a Race, certo? Mas não é. Para mim, o mais estranho é que não se trata de uma competição. As drags apenas montam as mulheres, fazem a apresentação, uma delas é apontada como a melhor e ninguém é eliminado, por exemplo. Falta um propósito maior em Drag U, algo que prenda o telespectador e que faça ele se importar minimamente com o que acontece ali.

Aliás, falando em se importar, a tentativa de fazer com que quem assiste acredite que aquela transformação foi capaz de impactar a realidade de alguém é bastante sofrível. Mas eles realmente insistem nisso. Inclusive fora do programa, já que quando Ginger Minj fez uma piada sobre o fiasco de Drag U, RuPaul se ofendeu e disse que o programa mudava vidas.

Sendo assim, não teria mesmo como Drag U conseguir a mesma longevidade de Drag Race. Então, depois de duas temporadas, a LogoTV acabou por cancelar o spin-off. Porque ainda chegou a ter uma segunda temporada, esse programa foi considerado o menos fracassado dos nossos cinco eleitos.

Onde encontrar: Capaz que alguém comprou, né
Onde encontrar a série original: Netflix

Se Drag U ainda não tinha o sucesso de RuPaul’s Drag Race para se escorar, o quarto eleito da nossa lista não pode dizer o mesmo de sua obra original.

Joey, série centrada no personagem de Matt LeBlanc em Friends, surgiu logo após o último ano daquela que, até hoje, é uma das séries de maior sucesso da TV estadunidense (quer você goste disso ou não).

Em linhas gerais, Joey tinha como objetivo narrar as tentativas do personagem título de conseguir sucesso como ator e o cenário escolhido para isso foi Los Angeles.

Mas, a verdade que ninguém queria encarar ao tirar esse spin-off do papel é que nenhum dos seis personagens de Friends funciona bem sozinho. Embora todos eles tenham popularidade ainda hoje, o que fazia com que a série desse certo era a boa química entre o elenco e a cumplicidade que os atores desenvolveram ao longo dos anos.

Pensa comigo: se a Rachel (Jennifer Aniston) tivesse ido para Paris, você gostaria de ver uma série com ela trabalhando no mundo da moda? E uma série sobre a Mônica (Courteney  Cox) e o Chandler (Matthew Perry) criando os gêmeos em uma casa no subúrbio? Pois é.

Nenhuma dessas opções funcionaria, assim como Joey também não funcionou porque, embora o personagem fosse carismático, ele não foi pensado para existir independente dos outros cinco que lhe consagraram. Na verdade, nenhum deles foi.

Para que um spin-off tenha sucesso, é necessário que o protagonista tenha esse tipo de autonomia ou o próprio programa não terá. E se for pra viver de crossover – o que nem seria possível nesse caso – é melhor tentar alinhar os planetas e continuar com a série original.

Assim como Drag U, Joey ainda conseguiu o milagre de durar duas temporadas – e eu não tenho ideia do que estavam pensando quando toparam isso. Mas, porque a série tinha o sucesso de Friends para ajudar a alavanca-la e ainda assim nunca engrenou, ela ocupa a nossa quarta posição.

Onde está: Globoplay
Onde assistir a original: Netflix

Se tem uma coisa que ninguém nunca vai poder criticar nos autores de Pretty Little Liars, é a persistência. Eles estavam tão determinados a conseguir um spin-off de sucesso que não fizeram apenas um, mas sim dois programas derivados da série adolescente de suspense.

O primeiro deles, Raveswood, ninguém sequer lembra que existiu, apesar de ter sido introduzido em um dos episódios de Halloween de Liars. Então, o Maratonista de Menu preferiu se concentrar no segundo spin-off, The Perfeccionists.

O motivo é bem simples: ele parecia que ia dar certo. E não sou só eu que estou falando. Antes ainda que a primeira temporada terminasse de ser exibida nos Estados Unidos, a Globoplay acreditou tanto no sucesso da série que comprou os seus direitos de distribuição com exclusividade.

Essa compra foi parte da tentativa de ampliar o catálogo internacional do streaming, que ainda não tinha nenhum sucesso atual e exclusivo – ainda bem que os tempos agora são outros, né?

Mas, para além da boa fé da Globoplay, The Perfectionists parecia que ia dar certo pela escolha das protagonistas: Alison (Sasha Pieterse) e Mona (Janel Parrish), duas das personagens mais interessantes de Pretty Little Liars (em especial Mona). Vê-las rivalizando novamente, agora já adultas e em um ambiente ainda mais competitivo, era algo que poderia ser interessante.

Só que não foi. E grande parte disso se deve ao fato de que I. Marlene King, a criadora das duas séries, não soube construir um novo universo ou mesmo pensar um formato que se adequasse à nova realidade de suas personagens. The Perfectionists é só um Pretty Little Liars na faculdade, já que se centraliza na mesma conspiração sobre “fulana morreu/fulana está viva”, “cliclano é confiável/ciclano é o anticristo”.

E o público já viu isso. Nesse ponto da vida, todo mundo que gostava da série original já está cansado de conhecer as viradas de enredo, os planos mirabolantes e já não fica mais surpreso com o mais do mesmo. Então, The Perfectionists acabou sendo um verdadeiro fracasso de audiência e teve o seu fim decretado quando a temporada ainda estava em sua segunda metade.

Mas, como ele pelo menos conseguiu enganar por um tempoo trailer é bem bom, inclusive -, ocupa a nossa terceira posição, mesmo com a “morte prematura”.

Onde encontrar: S02E24 de Gossip Girl e é isso
Onde encontrar a original: Netflix

Valley Girls parecia ter tudo ao seu favor. Quando os criadores de Gossip Girl tiveram a ideia de fazer o spin off, a série estava em seu auge em termos de audiência, o que facilitaria para conseguir um “ok” da CW.

E os responsáveis pelo programa até conseguiram o aval da emissora, mas ele foi somente para a realização de um teste.

A ideia era que Valley Girls fosse introduzida através da própria Gossip Girl. Em termos de sinopse, o spin-off contaria a história de Lily van der Woodsen (Kelly Rutherford) quando ela ainda era adolescente e groupie de várias bandas de rock – inclusive, ela conheceu Rufus Humphrey (Matthew Settle) exatamente nessa fase.

Além disso, o que ficamos sabendo na época foi que Valley Girls se passaria nos anos 1980 e teria no elenco Brittany Snow (Lily) e Krysten Ritter (Carol). E também que esse teste chegou a acontecer, claro. Se trata do penúltimo episódio da segunda temporada de Gossip Girl. O passado de Lily é resgatado através de um flashback.

Após a exibição do episódio – que também recebeu o nome de Valley Girlsa ideia esfriou. Aparentemente, o público não respondeu muito bem e não demonstrou interesse por saber mais a respeito de tudo o que a mãe de Serena (Blake Lively) aprontou durante a sua juventude.

Eu gostaria de ter visto onde ia dar. Só por esse episódio Lily me pareceu bem menos chata que Serena e eu não teria problema em ter dado uma chance para o spin-off. Mas, infelizmente, depois do teste a CW decidiu abandonar a ideia.

Porque não ter conseguido sair do papel nem se escorando em Gossip Girl, Valley Girls ocupa a nossa segunda posição.

Onde assistir: S09E16 de How I Met Your Mother foi uma espécie de prévia
Onde assistir a original: em breve, no Prime Video (se é que alguém ainda acredita neles)

A ideia de fazer um spin-off de How I Met Your Mother surgiu ainda durante a exibição da última temporada da série. E, desde então, ela teve vários nomes. Escolhi esse pela referência ao 16º episódio da 9ª temporada, que foi um dos motivos para a ideia ganhar força. Também, se nunca existiu, eu posso chamar como quiser, certo?

Ainda em 2014, o programa derivado chegou a ser apresentado à CBS com o título de How I Met Your Dad.

Ele era estrelado por Greta Gerwig e contaria a mesma história, mas sob a perspectiva da personagem da mãe. Ela se tornou quase uma entidade em How I Met Your Mother, mas não foi aprofundada sem passar pelos filtros de Ted Mosby (Josh Radnor), protagonista e narrador da história. Porém, a emissora rejeitou o piloto e a ideia voltou para o congelador.

Três anos depois, o spin-off ressurgiu das cinzas Dessa vez com o título de How I Met Your Father e com uma perspectiva completamente diferente. A história não seria mais exatamente a mesma e também passaria por algumas modernizações. Além disso, ela teria o envolvimento de Elizabeth  Berger e Isaac Aptaker, produtores executivos de This Is Us.

Porém, novamente, nada saiu do campo das ideias. Com o sucesso de This Is Us, a série acabou sendo renovada para várias temporadas. Além disso, a dupla que pretendia desenvolver How I Met Your Father ganhou uma promoção e se tornou co-showrunner do programa.

Com as maiores exigências do novo cargo e o sucesso da série que já estavam fazendo, Berger e Aptaker decidiram deixar o spin-off de lado e ele nunca aconteceu.

Assim, o máximo que a gente tem de “perspectiva da mãe” atualmente é o episídio How Your Mother Met Me, que se dedica a contar um pouco do passado da personagem. Porém, ele ainda é narrado por Ted e baseado nas memórias que ele tem daquilo que ouviu de Tracy (Cristin Milloti) depois que os dois se casaram.

E é por ter sido pensado, repensado, apresentado, engavetado, resgatado e, novamente, colocado de lado que esse spin-off leva a medalha de ouro.

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