fbpx

Maratômetro: 20 séries que chamam a atenção no primeiro episódio

Vocês podem me chamar de imediatista, de impaciente ou do que preferirem, mas uma coisa é fato: eu não lido bem com essa história de “assista 10 episódios e você vai perceber que está diante da melhor série do mundo”. Ou então “lá pelo sexto episódio você entende o que está acontecendo”.

Pode ser que eu perca muita coisa boa por deixar passar programas de TV que vêm com esse tipo de alerta, mas eu realmente não tento nem dar uma chance. Especialmente quando eu penso que existem séries que fazem um trabalho tão excelente ainda no piloto que a gente já sabe tudo o que precisa saber ali mesmo.

Para vocês não me entenderem errado, eu não estou dizendo que um programa precisa me entregar todo o seu enredo, sem guardar quaisquer surpresas. Está bem longe disso. Mas eu tenho alguns critérios pessoais que uso para determinar se vou ou não dar continuidade a uma série, listados abaixo.

  1. O quão eficiente é a apresentação do protagonista. Eu preciso terminar o piloto sabendo quem é aquela pessoa, o que faz ela se movimentar, quais são os seus objetivos e porque eu deveria me importar com ela.
  2. O ritmo da série precisa ficar bem estabelecido. Se eu vou assistir 50 reviravoltas por episódio, entre passado e presente, eu preciso saber. Se as coisas vão demorar para deslanchar, eu preciso saber. Portanto, marquem bem o ritmo.
  3. O mínimo de clareza sobre onde o roteiro quer chegar. É como eu falei: você não precisa me entregar tudo e deixar a série completamente sem surpresas, mas é legal saber o máximo de informações possíveis sobre pra onde o programa pretende caminhar em um primeiro momento.
  4. Um gancho, por favor. Caso um piloto me dê a impressão de que a história mostrada ali já foi finalizada, isso tende a diminuir a minha vontade de continuar assistindo. Afinal, se aquilo que foi usado para atrair a minha atenção acabou, meu motivo para ver a série também acabou.

Dito isso, para o Maratômetro de hoje perguntei para algumas pessoase também nas nossas redes sociais – quais foram as séries que chamaram a atenção delas ainda no primeiro episódio. Somei a elas alguns dos meus pilotos preferidos e, tcharam: reuni uma lista de séries que prendem a atenção ainda no início para quem também não gosta de coisa que demora para pegar no tranco.

Porém, foram descartadas as séries cujos episódios possuem entre 20 e 30 minutos de duração porque, afinal, é muito mais fácil prender a atenção em um intervalo menor de tempo e não seria uma competição “de igual para igual” incluir esse formato. Quem sabe um dia ele não aparece em outro Maratômetro, certo?

Vamos à lista!

Série: The Mentalist

Onde assistir: Prime Video, Microsoft Store

The Mentalist atende parcialmente a três dos critérios que citei. Assim, a série até consegue ter um piloto que prende a sua atenção em um primeiro momento, mas apresenta alguns problemas que não consegui ignorar – o gancho ausente foi o primeiro deles.

Para exemplificar esses problemas, eu sei que Patrick Jane (Simon Baker) era um vigarista que teve a sua família assassinada por falar besteiras sobre um serial killer em rede nacional. Sei que a sua motivação para se juntar à polícia é descobrir a identidade do assassino de sua esposa e de sua filha. E eu sei que ele possui um poder de observação invejável. Mas é isso.

A gente não sabe mais nada sobre ele. E também não sabe se The Mentalist funcionará como um procedural – aquelas séries que contam com um caso por episódio e pouca história sobre os personagens – ou se a série vai seguir investigando um caso principal enquanto outros menores surgem no caminho.

Devido a isso, o ritmo acabou ficando mal estabelecido. Afinal, os procedurals têm essa característica mais acelerada, em que o caso tem aqueles quarenta minutos para se resolver e tudo é uma “corrida contra o tempo”. Em The Mentalist a gente vê dois casos criminais diferentes: um é resolvido de maneira abrupta e o outro se arrasta por todo o episódio de uma forma bem desinteressante.

Eu daria mais uma chance para a série e veria até o final da primeira temporada por querer saber se o Red John vai ressurgir e por ter me interessado por ele especificamente. Mas é somente a curiosidade acerca do assassino o que me faz querer continuar e definitivamente não deveria ser assim.

Série: The Expanse

Onde assistir: Prime Video

O piloto de The Expanse não me disse muita coisa sobre a série. A impressão que eu tive foi que existem tantos conflitos (também, pudera, tem uns 50 planetas envolvidos na treta!) que não seria possível apresenta-los todos de uma vez a quem assiste. Assim, alguns acabaram ficando mal desenhados e parecendo meio ocos nesse primeiro momento.

Quando existem tantos focos assim em uma mesma história, é mais interessante que ela vá se mostrando aos poucos e um único conflito seja considerado o centro da narrativa no piloto.

Pensem, por exemplo, Fringe, para escolher uma série do mesmo nicho. Quem assistiu às 5 temporadas da perfeição em forma de ficção científica sabe que a gente passa dois anos sem ter a menor ideia de tudo o que existe por trás do trabalho de Walter Bishop (John Noble) e William Bell (Leonard Nimoy). E está tudo bem porque esse trabalho aparece aos poucos e o conflito no início é a queda do avião.

Para mim, The Expanse deveria ter seguido mais por esse caminho de desdobrar aos poucos os seus conflitos. Porém, a série ainda recebeu uma nota boa porque o visual é incrível e eu continuaria vendo, mesmo que no mudo, só para admirar as imagens.

Série: How to Get Away With Murder

Onde assistir: Netflix

Entre os meus critérios, sem dúvidas, o que How To Get Away With Murder atende melhor é o do ritmo.

A série consegue se dividir entre passado e presente e ser acelerada e intrigante nos dois tempos citados. Essas idas e vindas, aliás, deixam tudo mais interessante porque os spoilers que você recebe do próprio programa são suficientes para que você queira saber como as coisas chegam naquele ponto.

Além disso, How To Get Away With Murder também tem um gancho interessante o bastante para que você não desgrude os olhos. É, sem dúvidas, uma daquelas séries que quando você percebe, já maratonou a temporada inteira e não se moveu nem mesmo para ir ao banheiro.

Porém, se ela cumpre muito bem esses dois critérios, derrapa bastante nos restantes. Ao fim do primeiro episódio, eu sei que Annalise Keating é uma advogada criminalista das melhores e que ela trai o seu marido. Mas eu realmente não sei o que move Annalise e eu não tenho a menor ideia de quem ela é. Ou de quem os seus alunos são para além dos estereótipos óbvios.

E outra coisa que eu também não sei é onde a série quer chegar com a ideia do assassinato. É mostrar que os estudantes aprenderam tão bem o que Annalise ensinou em sala de aula? É provável que isso ainda leve um tempo para ficar claro, mas seria interessante deixar o público dar pelo menos uma espiadinha no início.

Série: Stranger Things

Onde assistir: Netflix

A queridinha entre 12 de 10 assinantes da Netflix. Uma das minhas também, admito. Mas, ao rever o piloto para essa lista, percebi que não fui fisgada automaticamente por ele. O que me fisgou em Stranger Things foi a nostalgia e a mistura de Goonies com Fringe que eu encontrei nesse piloto. Mas, pensando em termos práticos, ele não atende a nenhuma das minhas “regras” integralmente.

Assim como em How To Get Away With Murder, a gente não fica conhecendo a protagonista de cara. Eleven (Millie Bobbie Brown) aparece como uma menina misteriosa que fugiu de um laboratório. Ponto. A gente não sabe o que ela estava fazendo ali e pelo menos essa informação seria interessante ter antes de ir em frente.

É um pouco por isso que a gente também não tem ideia de onde a série quer chegar. Ela é sobre o desaparecimento do Will ou ela é sobre a fuga da Eleven? As duas coisas estão conectadas? Hoje, no Globo Repórter. De verdade, eu terminei sem ter certeza de para onde as coisas caminhariam nesse primeiro momento.

Mas, é aquela coisa: às vezes um bom gancho muda as coisas, certo? E isso o piloto de Stranger Things tem. Por querer saber o que viria, eu dei continuidade à série – e teria dado nessa revisão se ainda não tivesse uma série de pilotos pela frente.

E é por ser eficaz que ela recebe uma nota tão alta. Afinal, é uma série a qual eu tenho poucas críticas, mesmo que ela não passe nos critérios que eu citei.

Série: Revenge

Onde assistir: Globoplay

Se existe uma série no mundo que prende a atenção de qualquer pessoa no primeiro episódio, essa série é Revenge. O roteiro é todo pensando para isso e cumpre muito bem a sua função.

Então, a gente tem gancho à vontade, flashback à vontade e flashforward também, porque não? Afinal, a desgraça está anunciada desde o nome. Que mal tem dar uma espiadinha em todos os tempos da coisa até que a gente conheça os caminhos que levaram aos acontecimentos trágicos? Nenhum. Pelo menos não para mim, mas eu nunca fui parâmetro nessa coisa de me importar com spoilers.

Além disso, outra coisa que Revenge faz bem é apresentar os seus personagens, em especial a protagonista, Emily Thorne (Emily Van Camp). A gente sabe porque ela decidiu se infiltrar naquele ninho de cobras, sabe exatamente tudo o que ela é capaz de fazer para atingir o seu objetivo e sabe que ela ainda não se resolveu com várias partes do seu passado.

Já dá para perceber que a série atende a todos os meus critérios só pelo que foi dito, certo? Então, a nota está mais do que justificada e eu daria 5 se não quisesse matar os filhos da Victoria (Madeleine Stowe), especialmente a enjoada da Charlotte (Christa B. Allen).

Série: Orange is the New Black

Onde assistir: Netflix

Um gancho é um gancho. É só isso o que eu tenho para dizer. Orange Is The New Black poderia fracassar em TODOS os meus outros critérios que aquele gancho seria o suficiente para que eu assistisse quantas temporadas fosse da série. Não dá pra fazer nada além de soltar um palavrão na primeira vez que você vê.

Mas não é só isso: Orange passa em todos os meus critérios e só não recebeu a nota máxima porque a Piper é muito chata e eu sempre sofria nos episódios centralizados dela – menos na última temporada, ali ela redimiu anos de chatice.

Se tem uma coisa que Orange Is The New Black faz bem é marcar o seu ritmo. A série é cortada de flashbacks e, por vezes, eles entram em momentos críticos da ação dentro da penitenciária. Mas o que é mostrado nessas voltas ao passado é tão intrigante que você acaba se prendendo pelo flashback e aí Orange volta para a prisão.

Esse recurso é muito eficiente para prender quem assiste porque ele joga com o seu interesse em duas frentes diferentes: caso você esteja achando o enredo da penitenciária chato, o flashaback dá conta de te segurar e vice-versa.

Isso também ajuda bastante a gente a saber exatamente onde a série quer chegar. Na verdade, esse trabalho é feito desde o pôster. Mas eu não gostaria de estragar surpresas futuras para vocês.

Série: A Louva-a-Deus

Onde assistir: Netflix

Essa série me chamou a atenção rapidamente por trazer um elemento bastante incomum para o gênero: uma serial killer. É mais comum que os homens sejam os protagonistas de histórias desse tipo, de forma que essa novidade foi suficiente para despertar o meu interesse.

Outro ponto que contribuiu bastante para isso foi a ideia de que um copycat está imitando os crimes cometidos por pela Louva-a-deus anos antes e ela aceita trabalhar com a polícia, mas impõe a condição de lidar diretamente com o seu filho.

O ritmo, porém, foi um fator crucial para que o futuro da história despertasse a minha curiosidade. Ele é completamente diferente de tudo o que a gente está acostumado a ver em séries com esse formato. O mais próximo que eu consigo pensar em termos de produções americanas é Hannibal, mas ainda assim não é uma comparação muito próxima.

Isso me deixa curiosa para ver como a história será desenvolvida, quais pontos serão priorizados e quais serão esquecidos. A série somente não terminou com 5 TVs porque eu ainda me sinto apreensiva com um ponto: a possibilidade de que a Louva-a-deus tenha no seu passado eventos traumáticos e que eles sejam usados como justificativa para os crimes, ao invés do que a gente sabe que faz as pessoas realmente cometerem crimes.

Série: The Returned

Onde assistir: Globoplay

Confesso que The Returned não foi exatamente a indicação que chegou até mim, mas sim a original, feita na França. Porém, como não foi possível encontra-la em qualquer serviço de streaming, pensei que a versão dos Estados Unidos poderia servir. Não sei se as duas são equivalentes em termos de qualidade, mas simpatizei bastante com o que assisti no piloto de The Returned.

Apesar de não contar exatamente com um gancho, ele deixa tantas perguntas em suspenso que isso se torna, de certa forma, dispensável. Afinal, a gente sabe que a história não está encerrada por tudo o que fica no ar e ainda precisa de respostas.

Além disso, The Returned possui um ritmo mais lento que o comum para séries de mistério, mas que constrói muito bem as tensões das pessoas que precisaram lidar com a morte de Camille (India Ennega) e agora precisarão lidar com o seu retorno misterioso à vida.

Dessa forma, a gente sabe que é por aí que The Returned vai caminhar nesse primeiro momento. E, claro, para a solução do mistério e a explicação de quem é aquele moleque parado no meio da estrada completamente sozinho.

Os personagens também se deixam conhecer o suficiente nesse primeiro momento e nas duas fases de suas vidas que são apresentadas ainda no piloto. Foi bastante satisfatório assistir e eu indicaria, sem dúvidas.

Série: Dexter

Onde assistir: Globoplay

O piloto de Dexter é uma coisa linda de se ver. Boa parte disso se deve pelo fato de que a série é narrada pelo próprio protagonista, interpretado pelo sempre maravilhoso Michael C. Hall.

Isso faz com que a gente saiba exatamente o que Dexter Morgan está pensando e consiga realmente entrar na sua mente – o que pode ser perturbador às vezes, mas é necessário.

Além disso, outro grande trunfo do piloto dessa série é apresentar logo de cara aquilo que é o verdadeiro norte de tudo o que se desenrolou ao longo dos oito anos seguintes: o código de Harry. Ao perceber que o seu filho estava matando alguns animais da vizinhança, o pai de Dexter optou por lhe ensinar uma espécie de “código moral do serial killer”.

Por fim, o ritmo da série, embora não muito acelerado, é bastante interessante e eficaz no que se refere a prender a atenção. Ele é contido em seus primeiros momentos, dando a sensação de que a gente está participando da “caçada” de Dexter.

Série: Sherlock

Onde assistir: Netflix

Entre filmes e séries, várias tentativas foram feitas de adaptar o personagem de Arthur Conan Doyle para as telas de cinema e TV. Algumas foram interessantes, outras nem tanto e tem umas que a gente não deveria nem comentar.

A adaptação da BBC, a julgar pelo primeiro episódio, está no primeiro grupo. Fazendo um bom trabalho de apresentação de personagem, de cara, o público conhece a personalidade excêntrica e a inteligência dos protagonistas, assim como os seus métodos de trabalho. Sherlock também já deixa claro que uma amizade vai se desenvolver a partir dali.

Em termos de ritmo, para quem está acostumado com séries investigativas feitas na Europa, não será um problema acompanhar Sherlock, já que ela não é exatamente lenta. Porém, a série tira o tempo necessário para desenvolver tudo o que ela julga importante e não é tão acelerada quanto os programas estadunidenses desse formato.

Como a gente já escuta alguns nomes de vilões conhecidos do universo de Sherlock Holmes ainda no piloto, entendi isso como um gancho. Uma espécie de aviso que, “olha, não é para agora, mas vai acontecer”.

Embora não se encaixe na definição de “ponta solta” com potencial para te fazer ver o restante da série, simultaneamente, cumpre o papel de te prender porque você vai querer saber quais histórias sobre esses personagens serão contadas.

Série: Good Omens

Onde assistir: Prime Video

Se tem uma coisa que eu gosto em Good Omens, é como o tom, os personagens e a história já estão bem definidos nos primeiros momentos da série. E nada sai dos trilhos em nenhum momento.

Assim, se você é daquelas pessoas que não gosta de começar uma série sabendo como ela vai acabar, talvez, Good Omens não seja mesmo para você. Porém, eu garanto que o final é o menos importante e os desdobramentos, os personagens e o humor são muito mais relevantes do que um “spoiler” – que seria inevitável em uma história com esse tema.

Além disso, o ritmo acelerado, que te leva em 35 direções diferentes por segundo, mas dá conta de interligar todas elas em pouco tempo, é algo cativante. Algo meio “piscou, perdeu”, mas isso nem tem importância porque o fato é que você não consegue piscar.

Cheia de sacadas e interpretações interessantes sobre uma história que todo mundo já conhece bem, Good Omens tem um piloto redondinho e que vai te deixar curioso para saber o que uma série que entrega o seu final das primeiras cenas ainda pode ter para te oferecer.

(Spoiler: MUITO)

Série: Breaking Bad

Onde assistir: Netflix

De saída, eu vou ser sincera e afirmar que eu evito muito falar sobre Breaking Bad porque tenho a impressão de que não consigo expressar exatamente o que eu acho tão fantástico nessa série. Porém, decidi tentar novamente por se tratar de uma abordagem somente do piloto.

Caso você já tenha topado com os posters da primeira temporada e de qualquer outra, é muito fácil perceber a transformação de Walter White (Bryan Cranston). Embora ela tenha sido feita de uma forma gradual e muito (muito, muito, muito) bem construída, ela fica clara desde o piloto.

A cena da loja e a cena do trailer são fundamentais para a gente entender que, na verdade, o diagnóstico de câncer “virou uma chave” na cabeça do protagonista de Breaking Bad, mas a violência e a raiva estavam ali desde o início. Também estava ali desde o começo a construção perfeita de imagem acima de qualquer suspeitas, que livraria a cara de Walt por tanto tempo – mesmo sendo cunhado de um policial da divisão de narcóticos.

Embora essa série não seja daquelas que trabalha com ganchos em todos os episódios, o fato de que a gente sabe que um professor de química bundão vai se transformar um traficante de uma hora pra a outra cumpre essa função em Breaking Bad e faz com que a gente simplesmente precise saber onde tudo vai dar.

Onde assistir: Netflix

Séries: You

Onde assistir: Netflix

A primeira cena de You poderia ser facilmente descrita como “momentos antes da desgraça acontecer”. Porque a gente sabe que vai acontecer a partir do momento em que Beck (Elizabeth Lail) decide flertar com Joe (Penn Badgley) por alguns minutos. Essa atitude simples sela o destino da protagonista de You e quem assiste sabe disso. Não é necessário nem terminar o piloto.

Como a série é conduzida pela perspectiva de Joe, seria muito fácil para ela romantizar as atitudes do personagem. Afinal, ele acredita que está agindo por amor e para o próprio bem de Beck quando intervém na vida dela de forma expressiva. Mas isso não acontece em momento algum e You deixa claro, de saída, que está falando sobre um sujeito tóxico, com traços de psicopata e sobre uma relação completamente abusiva.

Além de deixar claras essas características de Joe, o piloto da série ainda faz um trabalho excelente em mostrar para gente quem é Beck, quem são os amigos dela e em qual contexto ela está inserida. Portanto, depois de ver isso tudo, também é possível concluir como exatamente ela acabou caindo na lábia de um sujeito como Joe.

E é por entender o que é verdadeiramente importante para que a série não se torne um problema que o piloto de You acabou entrando nessa lista. Mas também por fazer com que tantos ganchos sejam deixados (o que Joe vai fazer com Benji? E com as amigas da Beck? Como ele vai conquistar a Beck?) que a gente fica completamente vidrado e precisando saber como a desgraça vai acontecer.

Série: The Leftovers

Onde assistir: HBO Go

Quem está acostumado com o trabalho de Damon Lindelof, o responsável por The Leftovers, sabe que ele não veio nesse mundo para fazer coisas óbvias e nem para te oferecer todas as respostas. Portanto, prepare-se para um piloto cheio de perguntas.

Caso você esteja curioso para saber porque essa série acabou recebendo uma nota tão alta, ainda que ela “viole” um dos meus critérios, eu explico: os questionamentos dizem muito mais do que qualquer explicação mastigada que The Leftovers pudesse te dar. Assim como alguns detalhes, como as TVs que estão constantemente ligadas e transmitem notícias sobre a “partida repentina” de 2% da população da Terra.

Portanto, qual seria o propósito de tornar a série verborrágica? Nenhum. Seria inútil fazer algum dos seus personagens se sentar com alguém e dar uma longa explicação a respeito dos eventos estranhos e de tudo o que aconteceu depois deles.

Além disso, The Leftovers não me pareceu mais uma de “mistério sobrenatural” convencional. Se eu continuar assistindo, eu não tenho certeza de que vão me explicar o que aconteceu para todas aquelas pessoas simplesmente sumirem. E está tudo ótimo porque a série não fala mesmo sobre isso, mas sim sobre como quem ficou lida com todas essas questões.

Série: Kingdom

Onde assistir: Netflix

Nesse ponto da vida, todo mundo já viu várias “séries de zumbi”, certo? Então, não é de tudo incomum que as pessoas costumem dizer que esse gênero está saturado. Mas, para mim, quem diz isso nunca teve contato com Kingdom.

Isso porque o foco da série é bem diferente do que a gente espera. Se em, por exemplo, The Walking Dead e seus spin-offs tem-se a humanidade lutando contra as criaturas sedentas de sangue para conseguir sobreviver, Kingdom traz uma disputa por poder.

Quando o Rei se transforma misteriosamente em um zumbi, a Rainha Cho tenta a todo custo esconder esse fato dos seus súditos para impedir que Lee Chang, o herdeiro do trono, assuma como governante até o nascimento de seu filho. Ele, por sua vez, vai tentar recuperar o seu posto através de uma fuga, mas acabará descobrindo que o seu pai não foi a única pessoa a se transformar em morto-vivo.

Tudo isso se torna claro ainda no primeiro episódio, assim como a gente sabe que caso a série queira seguir por um caminho bom, Chang terá que passar por transformações para deixar de ser o príncipe mimado que a gente assiste ainda no piloto.

Além disso, as cenas com os zumbis, apesar de bem filmadas e esteticamente muito mais interessantes do que todas as outras que eu já vi, não assumem o primeiro plano da narrativa, que quer mesmo discutir o poder naquele contexto histórico (abordado com uma riqueza de detalhes absurda).

Por tudo isso, Kingdom consegue prender a sua atenção ainda no primeiro episódio e merece uma chance mesmo de quem acha que já viu de tudo em “séries de zumbi”.

Série: Seven Seconds

Onde assistir: Netflix

O piloto de Seven Seconds precisa de dez minutos para apresentar tudo o que a gente tem que saber a respeito dos temas que serão tratados pela série. Com um enredo simples e já abordado em outras produções, ela acaba conquistando pela habilidade em fazer os três núcleos presente interagirem e coloca a investigação em segundo plano.

O fato de que o projeto, inicialmente, seria uma antologia, faz com que a minissérie tenha começo, meio e fim bem marcados. Assim, a gente tem uma trajetória bastante clara que será seguida e os fatos apresentados não chegam a surpreender, mas te mantém vidrado pela raiva que despertam e também pelo realismo apresentado.

Ainda no primeiro episódio, todos os personagens envolvidos são bem desenhados e a gente sabe que eles estão ali para cumprir funções pontuais dentro da história que será contada. Mas, ao mesmo tempo, nenhum deles é unidimensional e isso dá força a Seven Seconds por fazer com que a gente se importe (ou queira chutar).

Portanto, desde o piloto da minissérie já dá para saber que a gente vai assistir a uma história sobre como o sistema de justiça está falido para grande parte da população dos Estados Unidos. É algo bastante doloroso, mas que vai valer cada segundo do tempo investido.

Série: American Crime Story: O Povo Contra O.J Simpson

Onde assistir: Netflix

O piloto de O Povo Contra O.J Simpson apresenta muito bem todos os seus personagens: protagonista, promotores, advogados e também as pessoas que cercam O.J (Cuba Gooding Jr.), ex-atleta acusado de assassinar a ex-mulher e um amigo dela.

Como a gente já sabe o que aconteceu porque a série é baseada em fatos reais, o que torna essa primeira temporada da antologia American Crime Story um dos melhores pilotos que eu já assisti é o fato de que dá para saber exatamente como tudo vai acabar ainda nesse episódio inicial – por mais que desdobramentos sujos e revoltantes aconteçam ao longo do julgamento de O.J Simspon.

Essa certeza se torna ainda mais forte quando Robert Shapiro (John Travolta), o advogado de defesa, entra em cena. Pela figura dele já dá para prever o circo da mídia, as narrativas que serão elaboradas para inocentar O.J e, claro, que os ataques sujos aos promotores. Embora Shapiro não seja o único responsável por tudo isso, a presença dele – e a forma como ele trata o seu cliente – já demonstram algumas verdades incômodas para quem assiste O Povo Contra O.J Simpson.

Outro acerto do piloto é fazer questão de desenhar muito bem a personalidade do personagem central da série para quem assiste, bem como o tratamento que ele recebia das pessoas à sua volta.

Uma cena que deixa muito claro o quanto isso faz diferença é a que os promotores se mostram chocados quando Marcia Clarke (Sarah Paulson) simplesmente não consegue se lembrar quem é O.J Simpson e, portanto, não se importa com a figura do acusado, mas sim com a justiça.

Série: Game of Thrones

Onde assistir: HBO Go

São uns 100 núcleos, que habitam uns 90 cenários distintos e cada um conta com aproximadamente 50 personagens, todos eles com interesses, motivações e segredos próprios. Além disso, existem uns 30 jogos de poder e disputas acontecendo ao mesmo tempo. E, por fim, ainda existe um “mistério”: o assassinato da Mão do Rei Robert Baratheon (Mark Addy).

É muita coisa, certo? Pois é. Mas em apenas uma hora, Game of Thrones dá conta de deixar tudo bem marcado e de fazer o seu queixo ir até o chão e voltar várias vezes.

Somente nesse primeiro momento a gente já sabe que Robert “roubou” o trono após dizimar toda uma família – ou pelo menos é o que ele acha. Também ficamos sabendo que, na verdade, o Rei está mais preocupado em beber e chorar por uma mulher que morreu anos antes do que em governar de fato, tarefa que sempre acaba nas mãos de sua Mão (foi ruim, concordo, vou apagar).

E a gente também fica sabendo que ele deseja levar Ned Stark (Sean Bean) para Porto Real por confiar no cara, mas entende de cara que Ned devia fazer qualquer outra coisa, inclusive se pintar de branco e fingir que virou um white walker para não ir. Nesse ponto, isso é quase um instinto, já que existem poucas pistas do porquê Jon Arryn acabou morto. Mas quem se arriscaria, certo?

Aliás, falando em walkers, repararam como eles estão ali também? Assim como os símbolos que reapareceram na reta final de Game of Thrones e geraram questionamentos em muitas pessoas? Pois é. Tudo o que a gente assistiu ao longo de oito anos já estava presente desde o primeiro episódio da série.

E é por conseguir introduzir tanta coisa com riqueza de detalhes que Game of Thrones não é apenas um piloto nota 5, mas sim nota 6. E, claro, pela última cena do episódio, o primeiro choque de muitos.

Série: The Marvelous Mrs. Maisel

Onde assistir: Prime Video

Se existe uma apresentação de personagem mais eficiente do que a de The Marvelous Mrs. Maisel, eu desconheço.

Porque a gente conhece Miriam “Midge” Maisel (Rachel Brosnahan) de várias formas diferentes: segundo a sua própria opinião e segundo a opinião de quem olha para ela, seja a sua família ou mesmo nos clubes de stand-up que frequenta com o marido. E tudo isso é feito em umas três sequências.

Além disso, a primeira cena da série deixa o talento da protagonista bastante claro para quem assiste. Portanto, a surpresa é zero quando ela sobe no palco bêbada, depois de ver o seu casamento ruindo às vésperas de um importante feriado judaico (que contaria com a presença do rabino em sua casa!), e faz uma plateia hostil se acabar de rir.

Nesse ponto de The Marvelous Mrs. Maisel, já deu para o espectador concluir que ela é engraçada, espontânea e inteligente e, portanto, que ela tem tudo para se dar bem em sua nova carreira.

Também é válido destacar que desde o primeiro episódio, a gente já nota que Midge vai passar por vários conflitos, internos e externos, para seguir a sua vocação e ir de dona de casa perfeita para comediante. Outra coisa que fica clara é que Susan (Alex Borstein) não vai ser capaz de deixa-la de lado, mesmo quando Midge acabar “morrendo pela boca”.

Claro, não daria para deixar de falar da apresentação do contexto sócio-histórico em que a série se passa, feita sem que uma única palavra seja dita sobre ele e somente por meio de figurinos, ambientação e detalhes cenográficos. Nota 6 sim e se alguém discordar, eu dou 7.

LEIA TAMBÉM:

Maratômetro: As 15 melhores séries originais da Netflix

Maratômetro: 17 filmes originais da Netflix, do pior ao melhor

Maratômetro: 15 filmes com mulheres fortes

One thought on “Maratômetro: 20 séries que chamam a atenção no primeiro episódio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *